terça-feira, 22 de julho de 2008

Por Que Pedralva???

Pedralva é uma das “Cidades Meninas” citadas na canção que está saindo no próximo álbum do trio. Hoje a cidade já se expandiu por outros morros, acima e abaixo, vale afora, e aguarda ansiosamente a dupla para o show do dia 26 de julho.
E a questão se faz necessária: Qual a ligação tão especial do Trio com a pequena cidade mineira encravada na encosta de uma montanha ?? Quem responde é o Giovany, pedralvense de corpo e alma e testemunha de parte da estória:
" Em 2003 eu morava em Juiz de Fora. Quando ocorreu a volta do trio “Sá, Rodrix e Guarabyra” não poderia deixar de conferir essa, e tive o privilégio de assistir o show “Outra Vez na Estrada”, e na primeira fila (até o Milton Nascimento estava lá na platéia nesse dia!). Junto comigo estava outro pedralvense, meu amigo João Paulo.

Quando o show acabou tentamos conversar com eles. Sempre havíamos ouvido histórias de visitas de Sá e Guarabyra à nossa cidade, mas como éramos crianças não lembrávamos e também não conhecíamos os fatos realmente. Quando contamos ao Guarabyra que éramos pedralvenses ele disse “Não acredito que vocês são de Pedralva!!! Aquela cidade que só tem morros!” E escrevia “Viva Pedralva!” nos nossos autógrafos. O Sá já havia se retirado, conversamos com alguém da produção e, como ele viu que realmente éramos fãs, muito gentilmente nos levou ao Sá, que nos recebeu muito bem. Eu com o João Paulo conversamos um bom tempo com ele, que nos contou toda a história de sua parada em Pedralva, forçada por uma tremenda gripe. Ele nos descreveu as pessoas que o ajudaram, mas não lembrava o nome delas. Nós não sabíamos quem eram e nem conseguimos descobrir. Ele disse que havia ficado muito grato a elas. Lógico que em seguida contamos tudo para nossos amigos. Um deles era o Thiago, que, algum tempo depois, criou esta comunidade aqui no orkut (eu fui, inclusive, um dos primeiros a entrar). Logo no início da comunidade, o Sá apareceu por aqui. Então, o Thiago entrou em contato com ele e disse que era de Pedralva. Isso o inspirou a contar a história na coluna “Na Estrada”, que foi publicada originalmente na revista “Backstage”.Agora, passo a palavra ao próprio Sá... "
UM VIAJANTE NUMA NOITE DE INVERNO
NA ESTRADA
Luiz Carlos Sá

UM VIAJANTE NUMA NOITE DE INVERNO(apud Italo Calvino...)

Eu não estava nada bem... a estrada parecia dançar à minha frente e de repente tive consciência de que ardia em febre e não poderia prosseguir por muito mais tempo enredado naquela sucessão de curvas sem nenhuma espécie de sinalização. Eu dirigia um Escort 84, carro que não me agradava: o farol era fraco, o limpador de parabrisa anêmico.De vez em quando ele pegava fogo por força de uma mangueirinha que teimava em vazar gasolina encima do escapamento. Recall naquele tempo? nem pensar. O carro já dera muito prejuízo à seguradora e foi um dos meus pouquíssimos não confiáveis. Fazendo um circuito que me muito me agradava eu partira de São Paulo pela Fernão Dias (que eu chamava de In-Fernão dos dias...), parara em Pouso Alegre para fazer um show e encontrar meus amigos Marcílio e Thomaz Green Morton e voltava ao lar,no Rio, via Santa Rita do Sapucaí, Itamonte, Dutra, etc.., curtindo o cheiro do diesel nas narinas numa época em que pista dupla era artigo de luxo: o Grande Acaso, deus preferido de meu parceiro Guarabyra, nos guiava – e ainda nos guia - pelas imponderáveis estradas do Brasil. Naqueles dias, como hoje, o motorista era um sobrevivente. Mas sempre me pareceu que nasci pra viajar, para que negar, porque nenhuma neblina me assusta e as serras são meu prazer absoluto, contanto que eu não esteja naquele estado em que justamente estava então: acabado por uma gripe pressentida de véspera mas deixada em progresso por conta daquela ilusão de eternidade que toma conta de qualquer artista depois de um bom show.

Meus colegas nunca compreenderam minha devoção estradeira. Porque ir de carro a um lugar onde se podia chegar de avião? avião para mim era sempre a opção secundária. Sendo possível, eu saía a qualquer hora e com a antecedência necessária pra chegar no tempo certo e no lugar exato, observando com calma a sucessão mágica de paisagens e gentes sempre variadas, nunca entediantes. Sentir a máquina, as curvas, as inclinações e correções necessárias, dominar por dominar. Bobagem? pode ser. Mas máquina produz música e isso é inegável. As rotações do motor são tons e semitons. Para nós, amadores da direção e profissionais da música a coisa se relaciona de perto. Não acredito que pilotos profissionais sejam indiferentes à música. Um piloto tem que ter ouvido, assim como um músico...Essas divagações me empurravam enquanto eu tentava enxergar alguma coisa naquela noite sul-mineira. De repente, uma entrada à direita chamou minha atenção. A placa indicava “Pedralva”. Lembrei-me das muitas cartas de Pedralva que chegavam ao nosso fan clube. Pedralva me salvaria - zonzou minha cabeça, qualquer coisa – já que eu não tinha mais condições de dirigir. Eram quase onze da noite, mas a animação da pracinha me surpreendeu. E do outro lado enxerguei a placa milagrosa: “farmácia”. Era tudo o que eu precisava. Arrastei-me fora do calor do Escort para o frio da noite. Cara, faz é frio no inverno do sul de Minas! Meu casaco de carioca não dava conta do recado. Entrei na farmácia esperando encontrar um farmacêutico clássico do interior, aquele de jaleco e coisa e tal, mas atrás do balcão estava uma moça como tantas outras de rabo de cavalo e jeans. Encostei e gemi:- O que é que você tem pra gripe?Ela me olhou. Apesar de jovem era experiente, pois logo percebeu meu triste estado:- Nossa! você tá mal! Bota mal nisso, pensei. Mas tentei manter a imagem:- Nem tanto. Acho que uma aspirina resolve...- Que aspirina! deixa eu tirar sua temperatura.
A farmacêutica – que chamaremos aqui de Juliana - me levou até a cabina dos fundos . Fez-me deitar na maca e tocou os procedimentos, termômetro primeiro: - Você está com quarenta de febre!- Tudo bem. Só quero que você me arrume um jeito de seguir viagem. Qual remédio poderoso que você tem aí?Ela parecia penalizada com o meu estado. Torto de frio quando tinha entrado na farmácia, eu agora suava em bicas e encharcara as roupas em questão de segundos. As coisas começavam a ficar confusas. Uma irresistível vontade de dormir tomava conta do meu corpo. Depois de um vácuo de tempo, percebi que havia mais pessoas ladeando minha maca. Um casal olhava fixamente pra mim.- Ei! você não é o Sá e Guarabyra? – perguntava uma menina de olhos muito claros.- Só um deles... – consegui responder.Pedralva me pôs no colo. As meninas e mais um rapaz levaram-me a uma casa de fazenda, onde fui recebido pela mãe de uma delas. O rapaz trouxe meu carro e eu pude trocar minhas roupas molhadas por um pijama quentinho daqueles que a gente põe na mala quando vai pra São Paulo. Não me perguntem quanto tempo passei naquela casa de janelas coloniais e pé direito alto, prostrado na cama. Não sei se um dia ou dez. Só sei que uma bela manhã me levantei, novo em folha, despedi-me dos meus amigos e prossegui viagem. Da porta da fazenda, Juliana (não sei se era esse o nome dela), o casal de jovens e a mãe me acenavam. Me doía o coração de ir embora dali, de volta a uma vida atribulada e distante daquela amizade espontânea e reconfortante.Não acredito que isso tudo tenha acontecido por força de popularidade. Antes mesmo de qualquer reconhecimento eu já tinha sido acolhido e minha maior culpa é não lembrar o nome dos meus personagens. Só queria que eles lessem esta crônica e soubessem que seu carinho e solidariedade empurraram aquele viajante de uma noite de inverno pela vida afora.Porque são boas lembranças como essas que fazem com que sobrevivamos a qualquer selvageria.

Ao final, o Sá explicava sua inspiração e ainda apresentava uma letra que citava Pedralva:

PS: esta crônica me foi inspirada pelo Thiago, criador de uma das comunidades Sá, Rodrix & Guarabyra do Orkut, que mandou-me um e-mail perguntando sobre a verdade da história que ainda corre na cidade, dizendo que passei mal por ter tomado umas cervejas lá num bar...artista não tem jeito, tem fama. E má fama, eheheh! segue então uma letra que fiz com Rodrix e Guarabyra para as cidades-meninas de Minas, que têm maravilhosos nomes femininos...

PEDRALVA, BRANCA, BRANCA, BRANCA PEDRANATÉRCIA,
COM SEU NOME DE SENHORACRISTINA,
DENTES DE LEÃO NA PRAÇAMARIA DA FÉ,
FRIA,FRIA, FRIA AGORA...
PALMYRA, DAMA QUE PERDEU SEU NOMEMARIANA,
ONDE A REZA NÃO TEM HORAJANUÁRIA,
MORENINHA BARRANQUEIRAMARIA DA FÉ,
BRILHA,BRILHA,BRILHA, AGORA...
Retomando a narrativa do Giovany:

Assim que escreveu a crônica, Sá a enviou para o Thiago, que imediatamente a repassou para nós. Ficamos “loucos”, maravilhados com a importância que Sá dava ao acontecido. Como ele já havia falado a mim e ao João Paulo após o show, e voltava a reafirmar na crônica, ele lastimava muito não lembrar o nome das pessoas que o ajudaram.Pronto! Unimos o útil ao agradável: Pedralva inteira tinha que ler aquela crônica e, de quebra, descobriríamos quem eram as pessoas e elas ficariam sabendo da gratidão do Sá. Eu pedi permissão para que pudéssemos republicar o artigo no jornal de Pedralva. O Sá gostou da idéia e prontamente permitiu, desde que fosse citado que a crônica fora originalmente publicada na “Backstage”. Eu escrevi uma introdução explicando como aquela crônica havia chegado a nós e pedindo para que as personagens da história se identificassem.
Foi o que aconteceu.
Algumas edições depois publicamos um artigo, desta vez com a versão da Picida, da Rita e da Vanessa.
Mandei os dois jornais para o Sá, que agora sabia os nomes delas. E elas do reconhecimento dele. E vai até aí...
**************
Até abril desse ano, 2008, na Virada Cultural, quando Thiago, Matheus, Renata e outra amiga estiveram no Theatro Municipal assistindo à apresentação de Passado, Presente, Futuro. Na saída, apesar da febre que Renata apresentava, aguardaram juntamente conosco a saída do Trio, quando então surgiu o pedido dos Pedralvenses para que o Trio fosse ao PedRock ( há anos tentava-se essa participação que era o desejo de toda a cidade). A resposta de Zé Rodrix citando a música Cidade Menina e a disposição de comparecerem ao Festival animou ainda mais os organizadores que depois de algumas pequenas batalhas conseguiram sucesso ao levar a dupla ( o Zé Rodrix, infelizmente, teria outro compromisso na data), finalmente, à participar do PedRock!
Até Pedralva!!!

Créditos: fotos - Blog Pedralva, do Bustamante
Jornal O Centenário ( acervo pessoal da Rita Souza)


SERVIÇO: PedRock
Ingressos p/ o sábado ( 4 bandas e Sá & Guarabyra e banda)
R$40,00 ( meia entrada c/ carteirinha ou 1 kg de alimento p/ doação)





2 comentários:

Elaine Andrade disse...

O Frio na barriga que era imenso, conseguiu ficar ainda maior...

Da-lhe Pedrock!!

Hilda B. disse...

A Elaine faz parte diretamente desse sucesso, já que atua na Comissão Organizadora do PedRock!!!
Um SUCESSO ES-PE-TA-CU-LAR!!!