quinta-feira, 26 de novembro de 2009
Sá & Guarabyra - LET IT BE
quarta-feira, 25 de novembro de 2009
Hoje: Pensamento de Luz no Aniversário do Zé Rodrix

Hoje escutem uma canção do Zé, releiam alguma crônica, vejam alguma foto, riam com alguma irreverência do Mestre, comam ( ou bebam) algo muito especial que invoque sua memória, e principalmente, dirijam um pensamento de luz ao Zé Rodrix no dia do seu aniversário!!
Vale até chorar, desde que termine tudo numa gargalhada , daquelas abertas, bem ao gosto do Zé!
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sexta-feira, 20 de novembro de 2009
domingo, 15 de novembro de 2009
ESPANHOLA, versão Rossa Nova
Finalmente publico essa versão, tão linda, com esses meninos não menos lindos, de sorrisos largos e fraternais, do Rossa Nova.
Juka, Bezão e Xamã deram um toque muito particular, fizeram uma releitura que ao ouvir a primeira vez me fez renovar meus votos de eterna paixão pela canção de Sá & Guarabyra, incluindo uma frase de " Can't help falling in love" ( Não posso evitar de me apaixonar), famosa na voz de Elvis Presley.
Quem pode?
Um mês após o falecimento do Zé Rodrix, recebi essa canção via email, do Juka. Mas andei tão triste, como todos...
Com o lançamento do DVD do Rossa Nova, grupo esse a quem o Zé Rodrix nutria paixão, meu ânimo voltou. Novos ares, novas vozes, esperanças renovadas. Não é à toa que seu primeiro trabalho trazia Sementes de Ipê para plantar. "Vamos espalhar as sementes e desfrutar dessa ROSSA NOVA!"
ESPANHOLA, com ROSSA NOVA
quinta-feira, 12 de novembro de 2009
Luiz Carlos Sá: Belorizontino, Sô!
Descrição de Tavito sobre a homenagem recebida por Luiz Carlos Sá, na Câmara de Vereadores de Belo Horizonte, ocasião que lhe foi outorgado o Título de Cidadão Belorizontino:
"(...)foi divertido pra dedéu. Foi o pessoal do 14 Bis, o Flavim Venturini, o Tadeu Franco e eu. Além de nós, a filharada. Tutu cantou uma parceria com o pai, linda. Maria Valéria filmou, e nós também cantamos várias homenagens pro velho, com corais abertos e os corações contentes, tocados todos pela amizade-vida-int...eira que nos une; foi emocionante. O próprio Sá fechou a cantoria com a infalível "Sobradinho". Depois, comidinhas de boteco e cerveja gelada. Foi bárbaro. Beijos / Tav"
Estiveram presentes amigos, parentes, sua esposa, todos os filhos e os fãs...entre os quais , confessou durante seu discurso, o Vereador Anselmo José Domingos, autor da homenagem.
Depois dos discursos, cantorias (Todos cantaram algumas parcerias com o homenageado e Tavito foi instado a cantar Rua Ramalhete, acompanhado por todos, com profunda emoção!), um farto coquetel composto por petiscos típicamente mineiros foi oferecido aos convidados .

Fotos oficiais do site do Vereador Anselmo José Domingos
segunda-feira, 9 de novembro de 2009
Luiz Carlos Sá: Cidadão Belorizontino
Há meses atrás chegou a notícia: Luiz Carlos Sá receberia o Título de Cidadão Belorizontino Honorário, por recomendação do seu amigo e parceiro, o também cantor, Thadeu Franco.
Não pude deixar de pensar na ironia: será o primeiro "mineiro" de um trio que todos pensam ter nascido em Minas, que canta Minas. Luiz Carlos Sá, carioquíssimo, tem um filho, um amor e o coração em Minas, além de seu endereço fiscal!
Câmara Municipal de Belo Horizonte
Av. dos Andradas, 3.100 - Santa Efigênia - Belo Horizonte - MG - CEP:30260-900
Novo Telefone geral: (31) 3555-1122 -Fax: (31) 3555-1460
sábado, 17 de outubro de 2009
Filha de Zé Rodrix e atriz de musicais, Marya Bravo canta suas próprias dores de amor no CD de estreia
"Água demais por ti"
Filha de Lizzie Bravo - a fã de apenas 16 anos que foi para Londres tentar algum contato com os Beatles e, após virar noites em frente à gravadora, acabou participando, em 1968, do coro na faixa "Across the universe", do clássico disco "Abbey Road" - com o papa do rock rural, Zé Rodrix, Marya Bravo ganhou seu primeiro cachê como cantora quando tinha apenas 4 anos. Era a voz da menininha do comercial de Cremogema que povoa a mente de toda uma geração. Mas a criança que esquecia a bola e a boneca quando sentia o cheiro do mingau só não abandonou a sua vocação para cantar. Voz presente em dezenas de musicais, ex-backing vocal de Marisa Monte, ela agora lança seu primeiro CD, "Água demais por ti", que será lançado no dia 28, no Cinemathèque.
O disco, que traz a alma roqueira de Marya, traz letras da artista de um momento de ruptura, de separação, que acabou conceituando o trabalho desde a arte do disco - na capa ela aparece como uma rainha decadente. Mas Marya vive um momento completamente diferente e, ao contrário do que possa parecer em suas canções, é uma figura para lá de alegre.
- As minhas músicas autorais têm essa temática de relacionamentos frustrados, da agonia dos amores mal resolvidos. E eu acabei montando o repertório seguindo isso. A "Imitação da vida", do (sambista baiano) Batatinha, foi o Mauro Diniz, com quem trabalhei na turnê de "Memórias, crônicas e declarações de amor", quem me mostrou. "Pra você gostar de mim", do Vital Farias, me foi apresentada pelo pai do Nobru, guitarrista que toca comigo - conta Marya, que gravou músicas de seus contemporâneos, como "Clássica", da banda Benflos, e "Relacionamento saudável", da Rockz. - Essa foi a última a entrar no disco e reflete o ótimo momento que vivo.
Marya Bravo não nega a influência de seu pai e sua mãe em seu trabalho.
- Cresci morando com a minha mãe, que até hoje ouve música o tempo inteiro. Então me aplicou Ney Matogrosso, Secos & Molhados, Mutantes, que frequentavam nossa casa. E a regravação de "Fala", do Secos, é uma homenagem dupla, pois meu pai fez o arranjo e tocou sintetizador na faixa. Também escuto muito os primeiros discos dele, os do Som Imaginário, e sinto que o meu disco puxa para esta época, para os anos 70. Isso fica com a gente, por mais que ouçamos outras coisas. E eu ouço de tudo.
A homenagem ao pai, que morreu em maio deste ano, traz uma ponta de tristeza:
- O falecimento dele me deixou muito triste. Era um torcedor. Não tinha contado para ele que o disco estava saindo porque queria fazer uma surpresa.
Marya Bravo não fez apenas o comercial de Cremogema quando criança. Como a mãe fez muitos jingles, ela era sempre solicitada quando precisavam de uma voz infantil. Mas a profissionalização começou mesmo quando ela se mudou para Nova York com a mãe. Paralelamente aos estudos formais, ela, que sempre sonhou em ser atriz, entrou para uma escola profissionalizante de teatro musical, onde juntou suas duas vocações: o canto e o trabalho de atriz.
- Fiz muitos trabalhos nos Estados Unidos e na Europa, até que um dia vim para cá de férias e fiz um teste para um musical. Não parei mais e fiquei por aqui.
Desde a sua volta, ela participou de espetáculos como "Cristal Bacharach", "Lado a lado com Sondheim", "7", foi Ângela Maria em "Cauby! Cauby!" e, para alegria da mãe, integrou o elenco de "Beatles num céu de diamantes".
O disco de Marya começou a ser pensado há nove anos, desde que foi trabalhar com Marisa Monte.
- Ali comecei a tocar violão e me interessei por esse meio, pelo qual eu não tinha navegado. Recebi muito apoio do Mauro Diniz, do Dadi e da Marisa, que sempre foi muito generosa. Em 2004 surgiu a oportunidade de um show, e, na hora de montar a banda, resolvi chamar pessoas de meios diferentes. O Carlos Trilha, eu conhecia da Marisa, o Cesinha era o baterista dos shows em que cantei com o Davi Moraes, e o guitarrista Nobru Pederneiras, que é meu cunhado, trouxe o Daniel, o baixista.
O resultado ficou tão satisfatório que a banda é a que toca no disco, por sinal, sem participações.
- Resolvemos que faríamos tudo no nosso tempo, e funcionou. Muitas vezes nos encontrávamos aos sábados e falávamos de música. O resultado, eu nem sei definir. Virou um rock melódico meio pesado.
Mas Marya, depois desse processo, se sente mais atriz ou cantora?
- Sou uma atriz de musical. Nunca fiz outra coisa e é difícil definir. Adoro interpretar canções no teatro, adoro ser dirigida e cantar como uma personagem. Mas cantar músicas minhas, extremamente pessoais, é muito forte. E essa minha formação dá um caldo nessa história.
http://oglobo.globo.com/cultura/mat/2009/10/16/filha-de-ze-rodrix-atriz-de-musicais-marya-bravo-canta-suas-proprias-dores-de-amor-no-cd-de-estreia-768084054.asp
quarta-feira, 5 de agosto de 2009
1º Acto
O tema escolhido foi muito apropriado para quem, como ele, era também ator e estava estreando na carreira solo, após tantos anos atuando coletivamente ( Momento 4uatro, Som Imaginário e o Trio).
Regis Tadeu, crítico musical e colunista do Yahoo, acabou de citá-lo numa lista que reúne os “10 melhores discos que quase ninguém conhece”! :
“3) I ACTO - Zé Rodrix
Este foi o primeiro disco que o genial e recentemente falecido Zé Rodrix lançou logo depois que saiu do ótimo e experimental grupo Som Imaginário, inaugurando uma carreira-solo brilhante e pouco valorizada. De cara, ele mostrou que sabia misturar como ninguém ótimos rocks ("Casca de Caracol", "Eu Não Quero", "Essas Coisas Acontecem Sempre", "Cadilac 52") e belas baladas ("Coisas Pequenas", "Quando Você Ficar Velho") e até mesmo um samba ("Xamego da Nega"). Infelizmente, não consegui achar um clipe de alguma música deste disco, mas é um trabalho recomendadíssimo para quem não acredita que houve vida inteligente na música brasileira nos anos 70.”
(matéria completa no link acima )
(clique sobre a foto para ler o texto)
sexta-feira, 31 de julho de 2009
Guarabyra no Guia de Vinhos da 4 Rodas
Guarabyra, além de compositor, escritor, poeta, entre mil atividades é também gourmand, restauranteur e um conhecedor de vinhos.
domingo, 12 de julho de 2009
Último Adeus ao Zé Rodrix

Para reunir todos textos do Zé Rodrix, todas a memórias, letras, divulgar as canções, vídeos, fotos da carreira e da vida do Zé Rodrix estamos construindo
o blog ZÉ RODRIX.
Assim, simples como o Zé e cheio de informação para os fãs e amigos matarem as saudades!
sexta-feira, 10 de julho de 2009
De volta à estrada - matéria do Estado de Minas
Sá & Guarabyra retomam o trabalho da dupla depois da morte de Zé Rodrix. Luiz Carlos Sá, hoje morador de Belo Horizonte, faz balanço da contribuição do trio para a música brasileira
Ailton Magioli
foto: Beto MagalhãesLuiz Carlos Sá, na Praça Nova York, no Bairro Sion, lugar que escolheu para morar e que, para ele, lembra Barcelona
A decisão, tomada em pleno velório do amigo e parceiro Zé Rodrix, morto de infarto do miocárdio, em 21 de maio, aos 61 anos, foi imediata. "Quando todos se mostravam preocupados com o choque e abatimento que havíamos sofrido, eu e o Gute (Guttemberg Guarabyra, também de 61 anos) descemos para conversar e chegamos à conclusão de que iríamos voltar com tudo. Afinal, seria desrespeito à memória do Zé e à própria carreira, que não tem vontade e perspectiva de encerrar", descreve Luiz Carlos Sá, de 63 anos, o terceiro personagem de um capítulo importante da música vocal brasileira, que teve início em 1971, no apartamento da Rua Alberto de Campos, 111, de Ipanema, no Rio, onde nasceu o trio Sá, Rodrix e Guarabyra.
Memória viva da música popular desde que transformou o denominado rock rural em verbete obrigatório do cancioneiro brasileiro, o trio, que durou 12 anos, em dois momentos, teve a carreira interrompida em 1974, com a saída de Zé Rodrix para seguir trajetória solo, voltando à estrada novamente em 2001, até sofrer “desagregação forçada”, como recorda Sá, com a morte repentina de Zé. Em meio a tudo, no entanto, há 26 anos sobrevive a dupla Sá & Guarabyra, que já fez cinco shows depois da morte do amigo e parceiro. A reação, de certa forma, foi rápida, como reconhece Luiz Carlos Sá, mas a emoção de cantar sem o amigo Zé Rodrix, depois de oito anos de retorno do trio, tem sido difícil de domar. “Os primeiros shows foram dramáticos, principalmente o que fizemos em Santo André (SP), onde montamos um power point com fotografias dele”, recorda Sá, contabilizando pelo menos 1,2 mil pessoas na apresentação, muitas das quais chorando a ausência de Zé.
“Não dá para escapar da emoção, às vezes é preciso exorcizá-la.” Sá explica que, embora a dupla tenha feito shows inclusive durante o período da retomada do trio, a convivência entre os três era intensa. "O Zé agregava algo que transformava a identidade da gente", diz, visivelmente emocionado, Luiz Carlos Sá. Para ele, o som do trio era muito mais pesado do que o da dupla. "A partir de agora, Sá & Guarabyra serão diferentes”, anuncia ele. Nos últimos tempos, de acordo com Sá, os contatos do trio – incluindo as composições – eram feitos mais via internet, principalmente por meio do skype, já que cada um morava em cidade diferente.
"Toda e qualquer decisão e conclusão, no entanto, eram tiradas juntos: o que fazer, o que não fazer”, ressalta Sá. Ele garante que não será a morte de Zé que vai tirá-lo do convívio deles. “A energia que o Zé deixou vai ficar para sempre conosco", afirma. Apesar de ele e o amigo Guarabyra ainda não terem voltado a compor, em breve vão retomar a parceria em dupla. "Depois do CD inédito do trio (Amanhã, com lançamento do selo Roupa Nova Music, a ser agendado ainda neste semestre), imediatamente vamos gravar o da dupla", antecipa Sá. Para ele, o público tem reagido com emoção redobrada nos shows. “Parece que querem empurrar a gente. É como se dissessem para a gente não desanimar, não parar.”
Nova casa
A escolha da Praça Nova York, do Bairro Sion, para o encontro com a reportagem, foi do próprio Luiz Carlos Sá, que, há três anos, trocou o Rio por Belo Horizonte. A duas quadras dali, ele e a mulher, Verlaine, curtem o filho mais novo do casal, que, curiosamente, tem a mesma idade da primeira neta do artista, de um ano e meio. Pai de mais quatro filhos de outros casamentos, Sá diz que os amigos se assustaram quando ele decidiu largar a cidade de origem. “Por que não?”, reagiu. “Tenho 50 anos de praia, além de adorar ser turista no Rio”, justificou em um dos poucos momentos de descontração. Como gosta de salientar, toda metrópole tem virtudes e defeitos, mas em Belo Horizonte ele encontrou paixões como a praça do Sion, que o remete ao Parque Güell, da Espanha, onde esteve ao lado da mulher, conferindo a beleza da arte de Antoni Gaudí. Os muros da praça belo-horizontina, decorados com cacos coloridos de cerâmica e vidro, remetem aos mosaicos de cores feitos pelo mestre espanhol, no famoso parque de Barcelona.
Raízes de um estilo
Foi a partir de uma brincadeira com Guarabyra, residente em São Paulo, que teria arrumado uma namorada em Ubatuba, que Zé Rodrix fez a letra da canção, de autoria do trio, que batiza o disco inédito de Sá, Rodrix & Guarabyra. “Amanhã, ela disse que ia chegar, amanhã/ Não chegou e avisou que só vinha na outra manhã/ Esperei, veio o sol, veio a tarde e depois/ Quando a noite chegou me deitei/ Não dormi, nem sonhei, esperei o amanhã”, dizem os versos, que deixaram a dupla assustada diante do aspecto premonitório da letra.
“O Zé gastou a pilha. Ele era um dínamo musical, vivia fazendo alguma coisa. Eu, às vezes, me cansava só de ficar do lado dele”, conta, sem culpa, Luiz Carlos Sá. Ele reconhece que o amigo puxava a dupla, que é meio paradona. “Extremamente musical, culto e polêmico, o Zé às vezes falava até o que não devia. Mas era o jeito dele. Nada dura tanto tempo por acaso. Alguma liga nos unia neste tempo”, acredita ele, salientando que, apesar de um estar sempre metendo o dedo no trabalho do outro (todos três faziam letra e música, simultaneamente), primou-se sempre pelo consenso. A volta do trio foi tão produtiva, revela Sá, que, além das 11 canções gravadas no disco, ficaram pelo menos mais 10 inéditas.
Oriundos de grupos históricos, Guarabyra (Manifesto) e Zé Rodrix (Momento 4, depois do Som Imaginário), ao lado de Sá, fizeram história ao criar uma marca no vocal brasileiro. “Não sei se o rock rural é uma marca ou estigma, já que às vezes as pessoas fazem uma mistura que não tem nada a ver com a gente”, detecta o artista. Conforme Sá, a ideia original foi juntar ritmos do interior brasileiro à influência urbano-roqueira dos três, que hoje encontra ecos em grupos como Vanguart e Roça Nova, de São Paulo. “Até pelas características, somos o primeiro trio, e depois dupla, não sertanejo de que se tem notícia”, conclui Luiz Carlos Sá.
DISCOGRAFIA
SÁ, RODRIX & GUARABYRA
Passado, presente, futuro, 1972
Terra, 1973
Sá, Rodrix & Guarabyra, 1983
O rock rural de Sá, Rodrix & Guarabyra, 1988
Portfólio, 1994
2 em 1 – Sá, Rodrix & Guarabyra, 1996
Outra vez na estrada – Ao vivo, 2001
SÁ & GUARABYRA
Nunca, 1974
Cadernos de viagem, 1975
Pirão de peixe com pimenta, 1977
Quatro, 1979
10 anos juntos – Ao vivo, 1983
O paraíso agora, 1984
Harmonia, 1985
Cartas, canções e palavras, 1987
15 anos juntos, 1988
Vamos por aí, 1990
Sucessos de Sá & Guarabyra, 1991
Sá & Guarabyra, 1993
O melhor de Sá & Guarabyra, 1994
Sá & Guarabyra – Série Aplauso, 1996
Rio-Bahia, 1997
O essencial de Sá & Guarabyra, 1999
Sá & Guarabyra e Orquestra Sinfônica Americana – Ao vivo, 1999
Sucessos em dobro – Sá & Guarabyra, 2000
(*) Inclui coletâneas e exclui trilhas
de novelas e solos de cada um, à exceção
de Luiz Carlos Sá, que não gravou
um disco sozinho.
Estado de Minas - dia 10/7/ 2009
Agradecimento à Maria Valéria Bethonico, pela colaboração!
quinta-feira, 9 de julho de 2009
Os Garotos de Ipanema - Luiz Carlos Sá

Leblon, primavera de 71. Tiro os quadros da parede, junto meus discos, guardo meus livros. Meu primeiro casamento estava acabado, eu estava sendo despejado e ainda por cima passava por uma dolorosíssima crise de cálculos renais. Tinha pensado em ir pra casa de Torquato Neto e Ana, mas minha ex-mulher se adiantara e já estava lá. Eu ficara sem ter pra onde ir a não ser a casa de papai e mamãe, o que me parecia o último fracasso. Mary, a empregada, sempre descolava um almoço, que mais tarde vim a descobrir ser saído das mãos da empregada do vizinho. Isso explicava também os “milagres” que andavam acontecendo lá em casa: eram semanas de um mesmo e misteriosamente duradouro quilo de arroz e feijão até que eu conseguisse algum trocado, que conseguia nas mágicas mãos de Mary a mesma longevidade misteriosa dos anteriores!
Na véspera, Torquato me emprestara uma graninha pra gasolina da mudança. Eu tinha como último patrimônio um jipinho Gurgel, que me recusava a vender, e toda minha mudança cabia nele.
Naqueles tempos em que eu andava meio pirado - e duro - minha única diversão era caminhar pela praia, do Leblon ao Arpoador, pensando na vida e tentando manter minha sanidade em dia. Mas naquela exata manhã resolvi pegar o Gurgel e sair dando uma bola por Ipanema. Quando passava ali pela Praça da Paz, ouvi me chamarem. Olhei pra calçada e dei de cara com o Guarabyra. O Guarabyra!
— Você tá indo pra onde? – perguntou ele, como se percebesse a confusão dos meus pensamentos.
Falei das minhas desgraças e ele, como sempre, riu muito delas. A gente se conhecia desde 66, mas já havia algum tempo que não nos encontrávamos. Fomos andando pela praça e bastou um chopinho rápido pra velha amizade se colocar em dia.
— Escuta, Sá: você se lembra do Zé Trajano, jornalista, irmão da Maria, cantora?
— Claro.
— Pois é. Eu estou dividindo um apartamento com ele, a mulher dele e um outro jornalista, o Toninho Neves. Tem um quarto pro casal, outro pro Toninho e outro pra mim. Leva uma cama pro meu quarto e vai se virando por lá até as coisas mudarem.
Não tive dúvidas em aceitar a oferta. A voltar pra casa dos pais, na Tijuca, distante do meio musical, era evidente que eu preferia ficar no meio das coisas mais interessantes que com certeza rolariam nesse apartamento. No dia seguinte, bem cedo, despedi-me de Mary, desolado, mas ao mesmo tempo animado pela perspectiva de um recomeço. Pra dizer a verdade, parti meio que com medo: depois de alguns meses saindo de casa apenas para trabalhar - eu era programador da rádio JB e editava um caderno semanal de música no Correio da Manhã - não me achava muito capaz de ser boa companhia pra ninguém. Eu dissera isso pro Guarabyra, mas ele insistira no convite, dizendo que todo mundo acharia ótima minha mudança pra lá... Minha “mudança”! Caixotes de livros e discos, malas de roupas e uma cama incrivelmente estreita, emprestada por minha ex-cunhada. Uma cama à prova de sexo, em cima da qual era impossível rolar alguma coisa além de um sono precário e meio de lado.
E lá me fui, Gurgel lotado e sem capota, rumo à Rua Alberto de Campos 111, apto. 1, um térreo antigo e espaçoso no miolo de uma Ipanema que naquela época ainda era um paraíso de malas-belas-artes.
Guarabyra e Toninho estavam na janela quando cheguei e tiveram ataques de risos com a finura da cama e a minha dificuldade em carregar a tralha mal arrumada:
— Cara, o que é que você faz com essa cama?
— Trouxe os pregos?
— Se você precisar dormir de bruços, pode usar a minha!
Tive que começar sozinho a colocar as coisas na casa, já que eles não conseguiam ficar em pé de tanto rir... Afinal, a cama foi entronizada no quarto do Guarabyra como uma imagem sagrada.
A vida no nosso esconderijo corria mais ou menos macia. Festas sempre que possível e tudo sempre que impossível. Guarabyra tinha um fusca e trabalhava na Globo, o que queria dizer que transporte e alimentação não eram problema. Eu passara a depender exclusivamente dele e do Toninho, já que resolvera perseguir a ilusória carreira musical e largara tanto a rádio quanto o jornal, começando um trabalho musical com meu amigo Zé Rodrix, que acabara de estourar com “Casa no Campo”. Pra mim e pro Zé o apê da Alberto de Campos revelou-se um lugar ideal pra ensaiar e compor. Com o tempo, a freqüência dos amigos aumentou, acho que graças a três coisas: a localização estratégica, entre a Farme de Amoedo e a então Montenegro, hoje Vinícius de Moraes, no coração do bochincho e ao mesmo tempo fora dele; nossa perene boa vontade em receber todos os tipos de intelectuais, aproveitadores, grandes papos, tietes, cineastas de van- e reta-guarda, artistas plásticos e metálicos, jovens atrizes e loucos de todo o gênero que grassavam no bairro por essa época; e finalmente pelo simples fato de que estávamos invariavelmente ou tocando e cantando nossas músicas ou ouvindo Leon Russel à toda altura que duas fantásticas caixas de concreto Wharfdale com falantes de 18 polegadas podiam agüentar. E - me acredite - elas agüentavam tudo! Aliás, nem mesmo o Trajano sabia como aquelas caixas tinham ido parar ali. Elas simplesmente faziam parte da locação.
Guarabyra era produtor artístico do Festival Internacional, mas apoiou o protesto dos compositores classificados da parte nacional contra a maligna censura que regia manu militari a MPB da época. Ficou em situação crítica e demitiu-se, o que deixou nossa renda doméstica seriamente enfraquecida e sem o principal sustentáculo da esbórnia diária. Toninho Neves assumiu solidária e imediatamente a condição de chefe da casa, uma vez que Trajano e sua mulher tinham tido o bom senso de mudar-se pra longe dali. Toninho saía cedo pro jornal e deixava o “das compras” com a Marlene, nossa fiel funcionária. Apesar da dureza, tínhamos dois carros parados na porta: o fusca do Guarabyra, que dias mais tarde eu destruiria numa esquina tijucana, e o meu bugue Gurgel, única paixão e orgulho material que me havia sobrado além de uma velha craviola de 12 cordas e da esbagaçada guitarra Sonic Giannini. O Gurgel! Branco, conversível, com uma frente de meter medo e um styling especial, ele tinha suspensão rebaixada, pneus largos e motor 1500. Era um monstrinho simpático que sempre atraía polícia pra cima da gente. Com a nossa cara, em 71, isso já era três quartos de fria.
Nossa casa tinha muito de happy hour. Todo fim de tarde pintava algum desgarrado por lá. Por exemplo, Júlio Hungria, crítico (ele recusava essa qualificação) do JB. Volta e meia lá chegava o Júlio, depois de um dia de redação, com cara de redação, roupa de redação e fisionomia redacional. Sentávamos eu, o Rodrix e o Guarabyra com ele e Máriozinho Rocha, outro habituê do nosso muquifo–chic, e nos enleávamos em música. Eles nos ouviam cantar nossas primeiras parcerias e falavam, entusiasmados, que éramos um trio e assim devíamos seguir. No começo da noite, Toninho trazia as últimas do dia e logo depois chegavam nossas meninas-candidatas-a-atriz: Leila Cravo, Bebel, Olguinha e Denise Dumont, falando dos últimos shows, de peças infantis que faziam e dos problemas com os diretores, começando suas carreiras com aquele brilho de I wanna be a star nos olhos. Era gostoso vê-las falar com incessante interesse nas mais abandonadas minúcias do meio teatral. A conversa subia, a temperatura também. Não demorava muito até que estivéssemos tocando e cantando a mil ou que as Wharfdale de 18 polegadas começassem a se arrepender de terem sido fabricadas e obrigadas a segurar o Delta Lady de Leon Russel no último volume.
Mas no meio dessa felicidade toda, num belo dia, Ricardo Mattos - flautista e saxofonista do Grupo Faia - que namorava nossa inocente vizinha e usava nosso apê para suas ocultas tertúlias amorosas - chegou esbaforido:
- A mãe dela descobriu nosso namoro! E chamou o Nelson Duarte!
Nelson Duarte era um meganha televisivo idolatrado pela classe média “redentora” que se dedicava a invadir os lares alheios atrás de nós, jovens metidos com drogas, bebidas e som alto, e cortar nossas bastas cabeleiras, em troca de “pequenas doações” para o fundo sem fundo que segundo as más línguas ele teria criado em prol de si mesmo. Aparecia em programas de TV como um defensor de Deus, Pátria, Família e o que quer que fosse feito em nome disso naqueles áridos tempos de Ferrocracia.
Em pânico, compramos imediatamente umas três dúzias de cervejas e instalamos um Comitê de Resistência para decidir quão pouco tempo teríamos pra sumir dali. Chegamos à sábia conclusão de que deveríamos voltar à casa de meus pais na Tijuca, onde gozaríamos de um duplo álibi: casa dos pais e Tijuca... O único problema é que teríamos os três de coabitar no meu quarto de solteiro. Mas isso ainda era melhor que ir em cana. E lá fomos, eu, Toninho e Guarabyra, morar na Tijuca, onde à noite dávamos boas gargalhadas olhando pra esquina onde eu tinha acabado com o Fusquinha. Quando, quarenta e oito horas depois, Nelson Duarte finalmente chegou à Alberto de Campos, só restavam as caixas Wharfdale e aquela minha cama fininha. As caixas - que nem o proprietário do apê sabia de quem eram - só não foram levadas por nós porque eram pesadas demais para uma fuga rápida. Mas minha cama fininha ficou lá e os canas ficou lá devem ter boas risadas olhando pra ela.
Diz o ditado: Depois da bonança sempre vem a tempestade. Só que a gente não estava nem aí pra tempestade. Vivíamos os maravilhosos, atordoantes, imprevisíveis e deliciosos anos setenta...
"Vida de Artista" é coluna mensal de Luiz Carlos Sá publicada mensalmente na Revista Backstage
http://luizcarlossa.blogspot.com/2009/07/os-garotos-de-ipanema.html
segunda-feira, 29 de junho de 2009
Sá & Garabyra em Santo André por Eduardo Guimarães
“Continuar é o que devemos. É o que sabemos. É o que queremos. É o que nós prometemos. Então, vamos em frente”.
Essa frase foi publicada por Luiz Carlos Sá em seu blog no dia 05 de junho, duas semanas após a morte do parceiro Zé Rodrix. A vontade de estar no palco, pelo parceiro que partiu e por eles mesmos, é o combustível que mantém Sá e Guttemberg Guarabyra juntos, levando suas canções pela estrada.
Nesta sexta-feira, 26, a dupla esteve mais uma vez tocando em Santo André, cidade onde foi formado o primeiro fã-clube dos músicos, no início dos anos 80, e que até hoje os acolhe como se fossem da região. De coração eles devem ser. Este foi o terceiro show sem Zé Rodrix e a falta que o músico faz no palco é sentida em diversos aspectos diferentes. Obviamente para os músicos tem a perda do amigo e companheiro que não tem como ser preenchida. Para o público, além do carisma, há uma lacuna pela falta de alguns dos clássicos do trio e de uma energia que aparentemente era irradiada do cantor e tecladista.Talvez quem conheça a carreira deles concorde que o aspecto mais rock n’ roll estava nas composições e no teclado de Zé Rodrix. Basta ouvir “Mestre Jonas” ou “Jesus Numa Moto”. A falta desse lado ‘rocker’ é um dos aspectos mais nítidos agora. Sendo assim, Sá & Guarabyra apresentaram ao público alguns dos maiores sucessos lançados pela dupla principalmente nos anos 80.
Logo após a segunda música do repertório, a bela “Harmonia”, Sá comenta com o público sobre a falta de Zé Rodrix e quase não consegue terminar de falar. A emoção tomou conta do músico. Guarabyra, do outro lado do palco, também se mostrou emocionado com a lembrança.
Em seguida a dupla apresenta “O Pó da Estrada”.Algumas das canções que fizeram parte do show foram “Tabuleiro”, “Cinamomo”, “Pássaro”, e as mais populares “Roque Santeiro”, “Caçador de Mim”, “Espanhola” e “Dona”.
Após essa música a dupla e a banda saem do palco e um vídeo começa a ser exibido no telão. São imagens de diferentes épocas de Zé Rodrix, desde sua infância até shows recentes. Voltam ao palco para apresentar uma das composições mais famosas de Rodrix, “Casa no Campo”, parceria com Tavito. Bela homenagem.
O show termina com a música que certamente é a marca registrada da dupla, “Sobradinho”. A dupla se despede e sai do palco, deixando a banda terminar a canção.
No palco Sá & Guarabyra são acompanhados pelos músicos Fabio Santini (guitarra), Alex Reis (bateria), Constant (teclado) e Pedro Baldanza (baixo), que também é fundador do grupo O Som Nosso de Cada Dia. Assim como foi nos anos 80, agora são apenas Sá & Guarabyra a caminhar sobre o pó da estrada. Que a caminhada seja longa.
Fonte: http://territorio.terra.com.br/canais/canalpop/materias/materia.asp?codArea=5&materiaID=782
domingo, 28 de junho de 2009
1 mês sem Zé Rodrix - Mensagem de Júlia Rodrix
O que dizer? Como dizer?
Agradecer, os 26 anos que ganhei tendo o prazer e a honra de conviver com este homem, este mestre de tantas artes, este ser humano de tantos humores e de sabedoria imensa e paciência curta para pequenices, burrices, preconceitos baratos, mesquinharias? Dizer o que perdi? Tudo seria pouco e difícil.
O Zé sempre foi e será um homem controverso, tipo ame-o ou deixe-o. Agora vejo que até mesmo aqueles que o detestavam, no fundo, tinham por ele respeito. Pela sua honra, pela sua ética, pela sua dureza contra qualquer coisa que não fosse no mínimo correta e justa.
Como Maçon lutou para que a Ordem voltasse a ser modelo respeitando seus fundamentos, fez pela Maçonaria durante 10 anos o que muitos não fizeram por séculos. Ou desfizeram, tornando a Maçonaria forma de poder e disputa em vez de uma Ordem de justiça, ética e fraternidade.
Pela música, você bem sabe foi contra dogmas, cultos por pessoas em detrimento a obras, culto à mídia no lugar do talento verdadeiro.
Seus textos nas listas que participava não eram mensagens curtas mas lições, pensamentos rápidos e muitas vezes hostis e mordazes para aqueles que estavam preparados para aquilo que querem, podem e conseguem entender o verdadeiro significado da palavra, do pensamento, do conhecimento.Para aqueles que se ofendiam, ele dizia apenas para não se levarem a sério, para não darem tanta importância a si próprios e às suas vaidades pessoais.
Como Pai, fez pelos 6 filhos o que um pai pode fazer. Deu o exemplo de correção, não com palavras, mas com atos, com atitudes. Ensinou a cada um deles o valor de ter amigos, de ser fiel a seus valores, de ser fiel a seus princípios, e de que a pior coisa que se pode fazer é trair a si próprio fazendo concessões. Ensinou o valor do trabalho, da realização dos sonhos e o prazer de ler, de conhecer, da busca. Tenho dois filhos dele e mais quatro de herança que me foram dados por ele como uma bênção.
Marya, uma maravilhosa filha mais velha, que tem a voz mais linda do mundo, compositora, cantora de musicais e atriz talentosa. Uma mulher de muita fibra, que vai lançar seu primeiro disco agora para orgulho de seu pai coruja que postava todos os trechos de suas performances nas listas. Dela tenho uma neta torta de 16 anos que se chama Morgana e que é uma luz de beleza e carinho, e também de um talento extraordinário.
Joy, um anjo de meiguice e doçura, psicóloga, que está desenvolvendo um projeto de atenção integral ao paciente e pelo qual o pai estava empolgadíssimo. É a mãe da Amodini, uma bênção de 5 anos de idade, que me disse que a Natureza não foi justa porque levou o vô Zé antes dele merecer, e veio do Rio para me dar colo.
Rafael, seu filho de Natal, um homem maravilhoso em inteligência, delicadeza, carinho e um profissional exemplar, que me conforta e aconchega por ser tão parecido ao meu amor e por ter um caráter de fazer inveja a qualquer um.
Antonio, meu primeiro filho com ele, meu companheiro, meu porto seguro, que herdou a memória, a sagacidade, a inteligência e o humor ferino, mas que é a doçura em doses imensas.
E por fim (será mesmo?) a Bárbara, que alguns já conhecem, que tem seu gênio, sua musicalidade, opinião própria, seu jeito de compor completamente diferente do pai, mas também não dá mole, como ela diz, pra ninguém e não é bengala de ninguém.
Quanto ao meu melhor amigo, ao meu amor, ao companheiro de uma vida tenho pouco a dizer porque ainda não consigo entender, não consigo escrever sem chorar muito.
Um beijo e, mais uma vez, obrigada.
Julia para sempre Rodrix
1 Mes sem Zé Rodrix
E de alguma forma funcionou !
Hoje, com o disco novo para sair, e a memória do Zé Rodrix precisando de um local específico, esse blog se divide em dois : O Paraíso Agora continua e nasce o Zé Rodrix, um blog tributo !









