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quarta-feira, 7 de julho de 2010

VITÓRIAS E DERROTAS


O desnecessário e pueril tombo brasileiro na Copa do Mundo faz com que eu caia solidariamente naquele lugar comum de usar o futebol como metáfora, recurso adorado por populistas de todas as cores ( presidentes inclusive) e inevitável em tempos como este que estamos passando, em que a auto-estima de um país inteiro vai provisoriamente pras cucuias. A sombra da derrota no pebolim (paulistano, porque no Rio é totó) em que se transformou o vigoroso esporte bretão deve durar pouco tempo, já que o autoritarismo do pobre Dunga, ingênuo Judas da vez, atirou a seleção em descrédito desde o princípio. Depois de anos de ditadura ficamos avessos a esse tipo de comportamento.
Eu particularmente curti muitas vitórias e sofri outras tantas derrotas na vida. Pra nossa geração musical, criada em festivais, era deles que surgia a surpresa de sermos transformados em vencedores ou vencidos, ídolos ou anônimos da noite pro dia. Passei por vários e embora não tenha ganhado nenhum, capitalizei muita experiência em participações e conhecimento de causa. Cancha, enfim, que me foi utilíssima na carreira, se é que isso pode servir de consolo numa era e num país onde só o primeiro lugar é válido.
Os Festivais eram uma espécie de vestibular para a turma jovem que iria se iniciar na profissão. Juntávamo-nos todos, entusiasmados, e ficávamos discutindo as músicas que poderiam levantar a galera. E põe galera nisso: das várias centenas nos das TVs Excelsior e Record a dezenas de milhares no maior deles, o Internacional, no Maracanãzinho. Gente de todos os tipos e gostos que torcia futebolisticamente – olha a metáforazinha aí de novo, que fazer... – por sua música favorita e vaiava sem dó as favoritas dos outros, fazendo com que muito pouco som fosse de fato ouvido nas fases decisórias. O melhor dos Festivais de Música dos anos 60 e 70 era sua absoluta democracia: misturavam-se no palco e na feroz concorrência nomes consagrados e desconhecidos, o que dava a nós, principiantes, a alegria adicional de ficar ombro a ombro com nossos ídolos nos camarins.
Nosso “vestibular de composição” era dividido em três fases: o chamado “balaio”, onde um secretíssimo júri selecionava uns dez por cento das milhares de músicas enviadas do Brasil inteiro; a seleção das classificadas, que seriam apresentadas e televisadas em duas ou três séries; e depois das eliminatórias, as finalíssimas, com as classificações definitivas e os prêmios adicionais de costume, tipo melhor cantor, cantora, arranjo, etc.. Pra nós, um Oscar.
Em 1966 meu amigo e guru, o poeta e letrista Nelson Lins de Barros, convenceu-me a inscrever músicas no 1° Festival Internacional da Canção, o FIC. Eu mesmo não levava muita fé em mim e agradabilissimamente surpreso em me ver classificado para as apresentações no Maracanãzinho. Talvez seja difícil pra vocês imaginar o deslumbramento que nós, jovens compositores, sentíamos ao ver nosso trabalho reconhecido ao lado dos Badens, Vinícius, Edus Lobos e até Caymmis e Tons. Imaginem! Euzinho mal entrado na pós adolescência, naquele camarim olhando meus maestros preferidos discutirem arranjos, meus cantores favoritos me ensinando exercícios de voz, meus compositores mais queridos mostrando uns aos outros suas ainda mal terminadas autorias... Era de cair de costas. Talvez tenha sido até por isso que em vez de dá-la à interpretação experiente e profissionalíssima do amigo Pery Ribeiro, que adorava a música, fiz questão de cantar eu mesmo minha “Inaiá”, um samba de viés folclórico muito à minha moda de então, que recebeu um arranjo primoroso do querido maestro Lindolfo Gaya. Derrota: fui pras finais, mas tremi na última apresentação e peguei um melancólico nono lugar. Vitória: ouvir vinte mil pessoas me aplaudindo no meio da música, na apresentação eliminatória.
A Charanga, com Luiz Carlos Sá


No ano seguinte, inscrevi-me de novo, mas aí a derrota foi total: não passei do balaio. Em compensação, meus amigos mais chegados estavam todos já na crista dos festivais. O MomentoQuatro, quarteto vocal-instrumental de Zé Rodrix, Mauricio Maestro, Ricardo Villas e David Tygel dividia o palco com Edu Lobo e Marília Medalha e vencia o III Festival da Record com a magistral “Ponteio” (Edu Lobo – Capinam). E meu recém, mas já muito amigo e futuro parceiro de música e vida Guarabyra disputava com sua “Margarida” as finais da parte nacional do II FIC, coadjuvado pelo Grupo Manifesto de Gracinha Leporace, Guto Graça Mello, Mariozinho Rocha, Augusto Pinheiro e outros. Recebi um convite pra assistir à final nacional, mas embora morasse na Tijuca, perto do Maracanãzinho, não me animei a ir: minha desclassificação ainda me doía muito. Preferi a TV. E de repente, no meio de um cochilo, ouço o apresentador anunciar:
- E a vencedora é... “Margarida”, de Guttemberg Guarabyra, apresentada pelo autor e o Grupo Manifesto!
Dei um pulo de três metros e caí do sofá, perplexo. Meu amigo ganhara! Fiquei vendo a emocionada reapresentação da turma, no meio da balbúrdia de milhares de pessoas que acenavam enormes margaridas de papiê machê, com um arrependimento sem fim de não ter pulado fora daquele bode idiota e ido ver o que acabara por ser a vitória do amigo, saído meteoricamente do anonimato de Bom Jesus da Lapa para a fama estratosférica que um festival daqueles dava, em termos inclusive de cobertura internacional, já que a vencedora do Brasil partia para concorrer com a mais badalada ainda parte internacional do Festival.
Mas enfim, a vitória dele consolou minha derrota e eu parti com mais convicção e menos medo para outras competições, em outros FICs ou nos importantes Festivais Estudantis da TV Tupi que revelaram João Bosco, Ivan Lins e Gonzaguinha e no menos badalado - mas não menos importante - Festival de Juiz de Fora, onde conheci Milton, Lô, Tavito, Beto Guedes e toda a turma mineira que desembocou no Clube da Esquina. Jamais ganhei nenhum festival. Mas não carreguei comigo o ranço da derrota, porque neles acabei por aprender o papel da música e da amizade na minha vida. Aprendi a abraçar sem inveja, a tocar junto, a compor em parceria, a comemorar a justa vitória alheia e a lamentar com sinceridade a derrota injusta sem fingir o inexistente fairplay de uma hora frustrante.
Éramos quase todos muito jovens. As vitórias e derrotas dessa época ajudaram-nos a criar os calos necessários e fazer com que conhecêssemos melhor o mundo real e muitas vezes cruel e inflexível de nossa profissão, entendendo que por trás daquele glamour havia uma exigência de dedicação e seriedade. E que em vez de ficar ricos talvez tivéssemos que ser apenas felizes.
É pra isso que servem as vitórias. E as derrotas também!

Coluna VIDA DE ARTISTA
luiz carlos sá
Jul/2010

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Sá & Guarabyra & Aécio Neves


Sá & Guarabyra estiveram presentes dia 31 de março na despedida de Aécio Neves do Governo do Estado de Minas Gerais, no Palácio da Liberdade , em Belo Horizonte, MG.
Na foto "2 dedos de prosa" entre Aécio, Luiz Carlos Sá, Guarabyra ao lado.

Fonte: https://blogdonoronha.wordpress.com/
Agradecimentos: Maria Valéria Bethonico

quarta-feira, 10 de março de 2010

TOO OLD TO ROCK’N’ROLL, TOO YOUNG TO DIE..

Luiz Carlos Sá

(Coluna Vida de Artista da Revista Backstage*)

Em 1976 o Jethro Tull, grupo de rock britânico liderado pela figuraça do flautista, vocalista e compositor Ian Anderson - que costumava tocar sua flauta apoiado numa perna só como um estranho saci ruivo – lançou um disco com o título de “Too Old to Rock’n’Roll, Too Young to Die”. “Muito velho para o rock, muito novo para morrer”, clamava Ian, do alto dos seus vetustos vinte e nove anos...
Ian é de 1947, está aí vivão, bem disposto e tocando ainda com seu Jethro Tull pelo mundo afora e cuidando de sua criação chilena de salmões. Mas naquela época era assim mesmo: a gente achava que depois dos trinta só a morte nos esperava. Acreditávamos na eterna juventude proporcionada por um Rock’n’Roll, evidentemente contestatário, que exigia então ou que morrêssemos cedo ou que parássemos de tocar e fôssemos criar os filhos em Suburbia, abrindo lugar para a próxima onda enraivecida de rebeldes. Tínhamos enorme preconceito contra os “velhos”, termo que abrangia gente de todas as idades que não concordasse com nossa maneira de viver ou pensar. “Não confie em ninguém com mais de trinta anos/não confie em ninguém com mais de trinta cruzeiros” era o que aconselhava um hit de Marcos e Paulo Sergio Valle, ambos hoje sessentões e atuantes. Como se pode ver, pagamos nossa língua: muitos de nós ainda são vítimas desse eterno preconceito que ajudamos a criar nas décadas de 60 e 70. Justiça nos seja feita: o mundo estava mesmo muito velho, eh, eh, eh... Mas esquecíamos que para viver o presente e preparar o futuro tínhamos que olhar o passado. Bem verdade que, num acesso de lucidez, eu e meus parceiros Rodrix e Guarabyra intitulamos nosso primeiro LP, lançado em 72, de “Passado, Presente, Futuro”. Pensando melhor, acho que naqueles tempos de ditadura, “velhos” significava “opressores”...
Ainda há sinais de preconceito no horizonte pós-pós-moderno. Dou exemplos: no meu qüinquagésimo quarto aniversário eu estava num show do Cake, no MAM, Rio de Janeiro, dançando e cantando as letras que sabia de cor. De repente, virei-me pro lado e dei de cara com uma jovem moçoila que me olhava com uma expressão intrigada. Sorri para ela e fiz um gesto de “qual é?” e ela chegou mais perto e gritou no meu ouvido: “como é que o senhor sabe todas as letras?” Caramba, porque eu não saberia? Certamente ela pensava que gostar do Cake era um privilégio de outra geração! Esse preconceito, claro, não é generalizado, mas fica latente à medida que nossa “jovem” geração setentista, criada em meio ao então recém descoberto poder que a juventude nos emprestava, envelhece menos que as anteriores. Amparados pelo cavalar progresso tecnológico do século 21, morremos cada vez mais tarde e acumulamos uma experiência que pode ser extremamente valiosa, mas é vista como um obstáculo por quem vem atrás, batalhando por um lugar no mercado de trabalho, no mundo, na vida. No caso particular da música, o amadurecimento que aplaina as diferenças pessoais e – por que não citar a verdade de muitos casos? - a necessidade de juntar uma caixinha pra velhice faz com que mais e mais grupos de rock dos anos 70 e 80 se reúnam e voltem à estrada com uma energia insuspeitada, fazendo shows vibrantes para platéias de todas as idades: os pais, lembrando dos “bons tempos” e os filhos entendendo por que os pais achavam aqueles tempos tão bons. Acredito que isso aconteça por que o rock dessas décadas traga uma mensagem libertária ainda não efetivamente repetida nos tempos atuais, que para muitos de nós daquelas gerações parecem, ironicamente, mais restritivos e repressores.
Há poucos anos atrás eu conversava no aeroporto de Vitória com os Titãs Tony Belloto e Charles Gavin, queixando-me das exigências que as gravadoras faziam ao Sá, Rodrix & Guarabyra, pedindo sempre regravações de velhos sucessos. Para meu espanto eles se confessaram pressionados com as mesmas exigências, apesar de integrarem um grupo dez anos mais novo que o nosso. E há menos de um mês li uma entrevista do Charles, recém saído dos Titãs, falando sobre o stress que a estrada provoca em muitos de nós. Para sobrevivermos na doce selva da arte, ficamos distantes de casa, mal vendo os filhos crescerem, tendo que dedicar o essencial de nosso tempo de vida a ser um artista em evidência. Charles, por exemplo, fala que encheu o saco de ter que viajar pra fazer shows todo o fim de semana, o que seria sonho de consumo de 130% dos principiantes que conheço. Mas entendo perfeitamente o que ele quer dizer. E entendo mais ainda quando ele aponta a contradição entre ser um músico de rock e enfrentar a passagem do tempo. A cabeça muda. A música muda. Os objetivos mudam também. Não conheço um músico de qualidade sequer que não se canse um dia dos clichês roqueiros e parta para diversificar seus destinos musicais. Há sempre a necessidade de tentar novas experiências. Mesmo não significando infidelidade às origens, elas trazem um sabor diferente a ser provado. Afinal de contas, a inquietude não é um dos principais postulados do rock? Talvez por isso estejamos assistindo cada dia mais a tentativas de misturas entre nossas tradições musicais e os ritmos que chegam de fora, comprovando nossa tradição antropófaga (!) posta em evidência pelos tropicalistas. Então acontecem redescobertas de caras já não tão novos e com uma respeitável bagagem de estrada, tipo Lenine (que eu diria ser um “rockruralista” moderno, com seus derivados de xotes e baiões cheios de peso instrumental e vocal), Marcelo D2 e seus raps egressos do samba de quadra, etc.. Do outro lado da cerca, centenas de outros menos famosos de todos os tipos, gêneros e idades lutam por um lugar ao sol nessa floresta de myspaces, facebooks e similares, misturando tudo que é som numa geléia de inimaginável diversidade e qualidade quase sempre duvidosa .
“Muito velho para o rock, muito novo para morrer”... Acho que o que morreu mesmo foi o sentido dessa frase, enterrado sob cada show dos sessentésimos Rolling Stones, do AC/DC, do Deep Purple, do Metallica ainda com Ulrich e Hetfield e de muitos outros mais, que transformaram em condecoração o deboche contido no epíteto “dinossauros do rock”.Eu, particularmente, continuarei me divertindo no palco enquanto juntas, músculos, cartilagens e ossos agüentarem, ou até mesmo depois disso, já que não deve faltar muito até inventarem uma espécie de clone sensitivo que possamos colocar no palco com nossos pensamentos, palavras, aparências e gestos. E nós, dinossauros convictos, confortavelmente sentados numa poltrona na coxia, controlaremos nosso alter ego mecatrônico com um sofisticadíssimo joystick, recebendo em troca, num chip implantado diretamente em nossos corações, a inesquecível e indispensável carga energética da platéia em delírio...



*Do Livro Vida de Artista que será lançado em breve!

quinta-feira, 21 de maio de 2009

NASCE UM NOVO SOM (Revista O Cruzeiro 1972)

Essa matéria foi originalmente publicada na Revista O Cruzeiro, um tradicional magazine semanal ( numa época Pré Caras, onde o conteúdo era importante!) .Garimpada pelo Sérgio de Carvalho, músico, pesquisador, cineasta e agitador cultural, nos foi "presenteada" justamente no dia em que celebrávamos seu aniversário, na primeira semana de maio.







SÁ, RODRIX & GUARABYRA
Nasce um Novo Som
Revista O Cruzeiro
03 de maio de 1972
Texto de Afrânio Brasil Soares e Fotos de Fernando Seixas




A reunião de três respeitáveis nomes da geração atual num trio – Sá, Rodrix & Guarabyra – está revolucionando nossa música e já se fala no advento de nova etapa, a do Rock Rural. Seu primeiro disco Passado, Presente, Futuro vem sendo amplamente divulgado e já se ensaia nas paradas de sucesso. O trio nasceu da necessidade que eles tinham de dar o tratamento que queriam às suas músicas, fugindo à comercialização fácil. Com o êxito alcançado, provaram que qualidade também vende!

Luiz Carlos Sá, José Rodrix e Gutemberg Guarabyra vinham, vez por outra, acontecendo na música. Ora nos Festivais, como no caso de Guarabyra com a vitória de Margarida, e de Rodrix, com Uma Casa no Campo, ora na regularidade com que tinham suas composições gravadas por cantores consagrados, como Nara, criando canções de Sá – seus nomes eram sempre lembrados em cada safra do ano.
Mas nenhuma explosão ou estouro, com a exceção de Guarabyra, ao vencer o Festival de 67, ocorrera. Em novembro do ano passado, um papo trivial entre os velhos amigos foi o responsável pelo acontecimento do momento – a reunião dos três compositores e cantores num trio.
A idéia era muito antiga, mas nunca vingou. Ela germinou desde os tempos do Gripo Manifesto que se reunia num boteco do Leme, do qual os três faziam parte. Profissionalizando-se, cada um seguiu o seu próprio destino e encaminhava suas músicas pelas vias normais, levando-as aos cantores que por elas se interessavam. Muitas vezes, reunidos, comentavam o tratamento que davam às suas canções, nem sempre do seu agrado. Até que chegou o dia do papo decisivo, na casa do Sá. Foi o ponto de partida para a gravação do LP Presente, Passado, Futuro, que está “estraçalhando” na praça e sendo amplamente divulgado em todos os meios de comunicação.

Sinceridade: a Chave de Tudo
Segundo os artistas, a reunião deles num trio era uma fatalidade. Nos longos e velhos papos, seus gostos se encontravam em todas as discussões e comentários. De posse dos instrumentos, enquanto faziam pesquisas, havia como que uma mágica assimilação do gosto do outro no que concerne à harmonia e em certas ocasiões ocorriam improvisações magníficas. O convívio trabalhava suas vocações afins e eles sentiam que se completavam. Todos já tinham algum nome e eram respeitados entre os da nova geração. Não era necessário criar um título para o conjunto: seriam eles mesmos - Sá, Rodrix & Guarabyra.

A partir do nome do trio usaram de sinceridade em tudo. Nada de artifícios. Fazer e interpretar uma música que venha dos seus sentimentos, esmerar-se na qualidade e ser mais próximos deles mesmos constituiu o resumo de seus mandamentos, ainda que com isso prejudicassem a comercialização.
- “Não visamos ganhar dinheiro, mas fazer o que gostamos “(Guarabyra)
-“ A verdade porém, é que nosso público musical evoluiu muito nos últimos tempos e a aceitação de Passado, Presente, Futuro é a prova inconteste disso “( Sá).
-“Quando o disco saiu vários cantores meus amigos me perguntaram por que não lhes ofereci determinada música. Ofereci-a, sim, você é que não descobriu beleza nela e nem ao menos se lembra – é o comentário de Rodrix ao se referir à canção Hoje Ainda è Dia de Rock, uma das componentes do LP.

O Já Famoso Rock Rural

A Expressão Rock Rural popularizou-se rápido, é como vem sendo cognominada a música criada pelos três, onde a mesclagem do tratamento harmônico com a participação de instrumentos vários fez surgir algo de singular na evolução da nossa música. As letras são simples,mas não simplórias e a singeleza das imagens procede da pureza dos sentimentos dos artistas, todos vivamente impregnados do amor à terra e à natureza. Ligada a esse amor existe a experiência musical para burilar e purificar o som, enriquecido pelos recursos da nova técnica.

-“Não temos nenhum preconceito contra o que há de velho ou novo. Nosso compromisso é com a música. Não desprezamos a melodia, como damos enorme valor à harmonia e ao ritmo. Utilizamos a grande orquestra, quando o número exige, como podemos nos limitar a um só violão, se for ocaso. A liberdade de criação é muito importante para o nosso trabalho” (Rodrix)

Não há regularidade na interpretação das 11 canções do LP. Muito ao contrário, a característica é a diversificação do tratamento das músicas, onde os artistas se alternam nos instrumentos e na sua posição de canto. Aliás, está especificado ligeiramente na contracapa do disco. Tudo isso prova a identificação entre eles o que resultou num magnífico trabalho.
VALEU A PENA

Sá, Rodrix & Guarabyra ao se reunirem em trio, já não são apensa Sá, Rodrix e Guarabyra isoladamente. Se na unidade, já eram respeitados, conjuminados formam uma força na área em que transitam. O primeiro resultado aí está: o disco sendo vendido a rodo em todas as principais praças do país e muitas de suas músicas, despercebidas pelos colegas anteriormente, são agora solicitadas para gravação.
Na crista da onda como se encontram, as solicitações já começam e suas aparições na TV já foram de imenso agrado. Nestes dias está sendo vendido um compacto do Trio que traz dois hinos evangélicos estilizado em ritmo popular, arranjo que fez grande sucesso quando lançado no programa Flávio Cavalcanti. Já cogitam um show em maio.
Sem dúvida aguardam o conseqüente sucesso financeiro, embora o dinheiro não seja o essencial para eles, como declararam. A importância do dinheiro que virá está diretamente ligada ao investimento que fizeram para lançar-se no trabalho do LP, pois abandonaram todos os outros compromissos profissionais durante 3 meses e para subsistirem tiveram ate que vender seus automóveis.
Mas valeu a pena o sacrifício. Presente, Passado e Futuro, além de seu excelente tratamento e sua esmerada qualidade, ainda terá o valor de relíquia para os colecionadores de amanhã: foi o primeiro disco do famoso conjunto SÁ,RODRIX & GUARABYRA.


terça-feira, 4 de novembro de 2008

CAÇADOR de MIM, a canção!

Amigos:
Ano que vem sai meu livro com uma compilação da série de crônicas “Na Estrada”, que fiz para a revista BackStage, uma memória de viagens de música. Agora inicio outra série para a mesma revista, “Vida de Artista”, com considerações e orientações, para os que querem iniciá-la, sobre e para uma carreira profissional de músico e artista. Espero que vcs continuem gostando. Beijos e abraços do amigo
Luiz Carlos Sá



VIDA DE ARTISTA
luiz carlos sá

Nós, compositores, cantores, músicos ou criadores de outros tipos de quem não posso falar com a devida propriedade, temos decerto um prodigioso pára-raios onde antigamente devia existir a famosa moleira. Mas esses pára-raios são diferentes: em vez de nos proteger das faíscas, elas as conduzem até nosso cérebro, onde rola, finalmente, o surto-circuito – isso mesmo, surto (não curto) circuito! - que chamamos criação. Esses tais raios nos atingem sem hora, dia ou lugar predestinados e nos deixam zonzos, imaginando se nossas mães não nos teriam mergulhado propositadamente, no lugar do batismo convencional, numa banheira de gelatina psicodélica... Chama-se a isso “inspiração”, um nome bem próprio se pensarmos que tais coisas parecem nos entrar narinas adentro, como aquele determinado cheiro que faz com que nos lembremos de atos e fatos que julgávamos esquecidos.
O problema é que depois da inspiração tem que vir a transpiração. Nela nossa cabeça trabalha fisicamente, como um atleta, esforçando-se por atingir a perfeição da criatividade, costurando o improvável, remendando o disperso e tendo que coordenar da maneira mais organizada possível aquilo que se passa na nossa pobre imaginação limitadamente humana.
Foi pensando nisso que resolvi mudar o rumo dessa minha coluna, que até agora se dispunha a contar os acontecimentos de trinta e tantos anos de viagens e shows Brasil e mundo afora, para refletir sobre o que nos leva a viver de uma determinada maneira que se convencionou chamar de “vida de artista”. Porque não escolhemos uma vida mais “tranqüila” e “segura”, como a maioria de nossos pais (tenho certeza dessa maioria...) quis nos induzir a viver? Porque o artista passa tantas vezes por essas desnecessárias angústias, por esses atalhos incongruentes, por essas dúvidas injustificadas? A resposta é simples: só nós temos que ser ao mesmo tempo cigarras e formigas. Cigarras pelo prazer de exercer a arte, formigas pelo dever de encarar os prosaicos, mas essenciais, problemas do dia a dia: comer, morar, ter família... Ainda assim nosso papel social é muitas vezes visto com um injustificado ceticismo por aqueles que acham supérfluo o exercício da Arte, mesmo que esse tipo de pensamento seja insustentável diante do simples conhecimento da História do Mundo.
Por isso, deste mês em diante, vocês lerão aqui o “Vida de Artista”, onde pretendo refletir sobre as várias correntes do grande rio que nos leva a optar por esse jeito diferente de viver.
Se é que é diferente...


luiz carlos sá












EU, CAÇADOR DE MIM

Pense em São Paulo ,1979. Eu estava ali sentado na sala que ocupava em meu estúdio, o Vice Versa, pensando no que fazer naquela tarde desanimada de verão paulistano. De repente, toca o telefone:
- Alô?...
- E aí, Sá, é Magrão...
Meu amigo Sérgio Magrão , baixista do então quase-recém-formado 14Bis.
- Fala, Magreza! – brinquei.
- Estou aqui com uma música pra te mostrar. Queria que você fizesse a letra.
Sérgio Magrão foi o primeiro baixista de estrada de Sá, Rodrix & Guarabyra. Começara conosco em 72 e nos acompanhara na mudança do Rio para S.Paulo quando fomos chamados por Rogério Duprat para integrar a equipe de criação da Pauta Produções e depois associar-nos ao Vice Versa, estúdio de gravação e publicidade que criamos com Duprat e mais dois sócios em 74. Na primeira leva paulistana, eu, Rodrix e Guarabyra carregamos conosco Magrão no baixo e Luís Moreno na bateria. Depois da saída de Rodrix, eu e Guarabyra trouxemos Sérgio Hinds na guitarra e Cezar de Mercês nos vocais e na percussão, completando depois a banda – que gravaria conosco o primeiro disco da dupla, o “Nunca” - com um jovem tecladista mineiro indicado por Milton Nascimento, Flávio Venturini. Depois, essa banda backing virou a segunda formação do Terço e desembocou no 14Bis . Mas o que eu ainda desconhecia era o fato de que Magrão também compunha. Fiquei surpreso:
- Ué! Você tá compondo agora?
Magrão ficou meio espantado com a minha reação:
- E porque não?
- É bom saber!
E eu devia mesmo ter desconfiado antes do talento compositor de Magrão. Porque você pode perceber pela melódica do instrumentista quando ele também pode compor. É só começar...
- Dá pra você passar aqui agora?
- Estou indo.

Sá & Guarabyra e O Terço ( foto site Luiz Moreno- agradecimentos à Irinéia)
E lá veio ele. Em menos de uma hora estávamos juntos na minha sala. Magro pegou o violão e começou a desfiar uma melodia suave, simples, mas muito bem engendrada. Fiquei encantado com a força e a beleza contidas nela, à espera apenas das palavras certas. Depois que Magrão saiu fiquei ouvindo no meu micro-cassette – então ainda uma novidade! – a melodia que ele me deixara. Uma coisa qualquer, uma “inspiração”, fez com que eu remexesse minha bagunçadíssima primeira-gaveta-à-direita atrás daquela letra que eu fizera meses atrás depois de reler pela terceira vez o “Apanhador no Campo de Centeio” de J.D.Salinger:

Por tanto amor, por tanta emoção
A vida me fez assim
Doce ou atroz, manso ou feroz, eu, caçador de mim...

A letra era o retrato de minha vida à época, quando eu reavaliava minhas opções como artista e como pessoa. A necessidade de entrar de cabeça no mundo dos jingles, para podermos pagar o estúdio, me enchera de dúvidas. Quem eu era de verdade, o que eu queria, onde eu gostaria de chegar, todas aquelas perguntas sem resposta que nos acometem mais tarde ou mais cedo ficavam ecoando na minha cabeça confusa, em plena crise dos trinta ou como quer que vocês queiram chamar essa encruzilhada esquisita onde chegamos às vésperas da meia-idade. Para meu completo espanto a letra foi aos poucos se encaixando magicamente na melodia do Magrão, sem que eu tivesse que mexer um dedo na métrica:


Preso a canções, entregue a paixões que nunca tiveram fim
Vou me encontrar longe do meu lugar, eu, caçador de mim...



Para que seja bem entendido o inusitado da situação, explico aos não-compositores que um acontecimento desses – um acerto de letra e melodia sem conhecimento anterior - beira o mediúnico, como se eu e Magrão tivéssemos experimentado inconscientemente algum tipo de telepatia...
Mas a moleza acabou na segunda parte, e aí veio a fase da “transpiração”. A letra na gaveta parava ali, divisão se reduzia e eu tive que conter meu entusiasmo e fazer do menos, mais. Afinal consegui resumir o que eu acreditava ter que fazer num futuro próximo:



Nada a temer senão o correr da luta
Nada a fazer senão esquecer o medo
Abrir o peito à força numa procura
Fugir das armadilhas na mata escura...



Como fechar? Eu sentia que tinha que contrapor a dúvida à certeza, para expressar direito o que estava se passando comigo. Levei mais uns três dias obcecado pelo que faltava, até terminar:



Longe se vai, sonhando demais
Mas onde se chega assim
Vou descobrir o que me faz sentir
Eu, caçador de mim



No dia seguinte chamei Magrão de volta ao estúdio e ficamos horas tocando a música completa, maravilhados pelo bom resultado. Dias depois tivemos uma reunião com o resto do pessoal do 14Bis em minha casa. Vermelho, o tecladista, egresso do grupo Bendengó e também nosso amigo de longo tempo, questionou o título da música:
-“Caçador de Mim”? De onde saiu isso?
Entendi a estranheza e expliquei longamente a relação entre a letra e a temática do “Apanhador...” de J.D.Salinger. Vermelho, pragmático total, achava aquilo tudo longe do cidadão comum e do dia-a-dia. Mas eu confiava, e até hoje confio, na intuição artística como uma arma superior a qualquer teoria. Algo me dizia que aquela música seria um marco na minha vida e talvez na de muitas outras pessoas também:
-Vai por mim. Todo mundo vai entender o que isso quer dizer.
Convencido o Vermelho e o resto do grupo, o 14Bis gravou a música. Não muito tempo depois, Magrão levou a gravação a Milton Nascimento. Milton fez questão de esconder de mim até o último minuto, para fazer surpresa, que tinha não só gravado o “Caçador” como também intitulado seu novo disco com o nome de nossa música:
-É minha – dizia ele, e diz até hoje.
Depois de quase trinta anos cantando o “Caçador” em shows, sinto até hoje a mesma emoção que senti junto com Magrão na minha sala da Vice Versa naquele longínquo 1979. Quando depois dos shows, no camarim, as pessoas vêm me dizer que essa música parece ter sido feita para elas numa determinada época de suas vidas me convenço ainda mais de que quando fazemos as coisas com a força da inspiração e da transpiração o tempo parece não passar: pára por ali mesmo e faz com que pensemos nos Salinger, nos Rimbaud, nos Kerouac, nos Rilke, nos Dylan e em todos aqueles – artistas ou não - que renunciaram romanticamente a uma vida normal para provar... O que mesmo? Não importa. Para simplesmente provar. Ou para pôr-se à prova.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Programa ZOOMBIDO - Moska entrevista Sá & Guarabyra

Foto: Paulo Moska

Programa gravado no início do ano, certamente previsto pra ser veiculado na época do lançamento do disco, chega agora, ainda sem o novo disco! Vários meses de angústia para nós, que antevíamos que estariam separados através da "Canção de Todo Mundo"( composição coletiva cantada por todos os participantes do programa), o que aliás, achei ótimo!!! Assim teremos o dobro para aproveitar!!!
Moska e Sá e Guarabira no ZOOMBIDO
Canal Brasil - Canal 66 NET
Horario(s): 23/10 - 21:30
24/10 - 16:00 (reprise)
25/10 - 13:00 (reprise)
O do Zé deve ser o próximo!!!

domingo, 3 de agosto de 2008

Programa Arte na Praça - show de Uberlândia

3 vídeos que compõem a primeira parte do programa ARTE NA PRAÇA com o show apresentado por Sá, Rodrix & Guarabyra em Uberlândia, dia 6 de julho passado. Trechos do show entremeados com entrevista!










Aqui se faz, aqui se paga

terça-feira, 22 de julho de 2008

Por Que Pedralva???

Pedralva é uma das “Cidades Meninas” citadas na canção que está saindo no próximo álbum do trio. Hoje a cidade já se expandiu por outros morros, acima e abaixo, vale afora, e aguarda ansiosamente a dupla para o show do dia 26 de julho.
E a questão se faz necessária: Qual a ligação tão especial do Trio com a pequena cidade mineira encravada na encosta de uma montanha ?? Quem responde é o Giovany, pedralvense de corpo e alma e testemunha de parte da estória:
" Em 2003 eu morava em Juiz de Fora. Quando ocorreu a volta do trio “Sá, Rodrix e Guarabyra” não poderia deixar de conferir essa, e tive o privilégio de assistir o show “Outra Vez na Estrada”, e na primeira fila (até o Milton Nascimento estava lá na platéia nesse dia!). Junto comigo estava outro pedralvense, meu amigo João Paulo.

Quando o show acabou tentamos conversar com eles. Sempre havíamos ouvido histórias de visitas de Sá e Guarabyra à nossa cidade, mas como éramos crianças não lembrávamos e também não conhecíamos os fatos realmente. Quando contamos ao Guarabyra que éramos pedralvenses ele disse “Não acredito que vocês são de Pedralva!!! Aquela cidade que só tem morros!” E escrevia “Viva Pedralva!” nos nossos autógrafos. O Sá já havia se retirado, conversamos com alguém da produção e, como ele viu que realmente éramos fãs, muito gentilmente nos levou ao Sá, que nos recebeu muito bem. Eu com o João Paulo conversamos um bom tempo com ele, que nos contou toda a história de sua parada em Pedralva, forçada por uma tremenda gripe. Ele nos descreveu as pessoas que o ajudaram, mas não lembrava o nome delas. Nós não sabíamos quem eram e nem conseguimos descobrir. Ele disse que havia ficado muito grato a elas. Lógico que em seguida contamos tudo para nossos amigos. Um deles era o Thiago, que, algum tempo depois, criou esta comunidade aqui no orkut (eu fui, inclusive, um dos primeiros a entrar). Logo no início da comunidade, o Sá apareceu por aqui. Então, o Thiago entrou em contato com ele e disse que era de Pedralva. Isso o inspirou a contar a história na coluna “Na Estrada”, que foi publicada originalmente na revista “Backstage”.Agora, passo a palavra ao próprio Sá... "
UM VIAJANTE NUMA NOITE DE INVERNO
NA ESTRADA
Luiz Carlos Sá

UM VIAJANTE NUMA NOITE DE INVERNO(apud Italo Calvino...)

Eu não estava nada bem... a estrada parecia dançar à minha frente e de repente tive consciência de que ardia em febre e não poderia prosseguir por muito mais tempo enredado naquela sucessão de curvas sem nenhuma espécie de sinalização. Eu dirigia um Escort 84, carro que não me agradava: o farol era fraco, o limpador de parabrisa anêmico.De vez em quando ele pegava fogo por força de uma mangueirinha que teimava em vazar gasolina encima do escapamento. Recall naquele tempo? nem pensar. O carro já dera muito prejuízo à seguradora e foi um dos meus pouquíssimos não confiáveis. Fazendo um circuito que me muito me agradava eu partira de São Paulo pela Fernão Dias (que eu chamava de In-Fernão dos dias...), parara em Pouso Alegre para fazer um show e encontrar meus amigos Marcílio e Thomaz Green Morton e voltava ao lar,no Rio, via Santa Rita do Sapucaí, Itamonte, Dutra, etc.., curtindo o cheiro do diesel nas narinas numa época em que pista dupla era artigo de luxo: o Grande Acaso, deus preferido de meu parceiro Guarabyra, nos guiava – e ainda nos guia - pelas imponderáveis estradas do Brasil. Naqueles dias, como hoje, o motorista era um sobrevivente. Mas sempre me pareceu que nasci pra viajar, para que negar, porque nenhuma neblina me assusta e as serras são meu prazer absoluto, contanto que eu não esteja naquele estado em que justamente estava então: acabado por uma gripe pressentida de véspera mas deixada em progresso por conta daquela ilusão de eternidade que toma conta de qualquer artista depois de um bom show.

Meus colegas nunca compreenderam minha devoção estradeira. Porque ir de carro a um lugar onde se podia chegar de avião? avião para mim era sempre a opção secundária. Sendo possível, eu saía a qualquer hora e com a antecedência necessária pra chegar no tempo certo e no lugar exato, observando com calma a sucessão mágica de paisagens e gentes sempre variadas, nunca entediantes. Sentir a máquina, as curvas, as inclinações e correções necessárias, dominar por dominar. Bobagem? pode ser. Mas máquina produz música e isso é inegável. As rotações do motor são tons e semitons. Para nós, amadores da direção e profissionais da música a coisa se relaciona de perto. Não acredito que pilotos profissionais sejam indiferentes à música. Um piloto tem que ter ouvido, assim como um músico...Essas divagações me empurravam enquanto eu tentava enxergar alguma coisa naquela noite sul-mineira. De repente, uma entrada à direita chamou minha atenção. A placa indicava “Pedralva”. Lembrei-me das muitas cartas de Pedralva que chegavam ao nosso fan clube. Pedralva me salvaria - zonzou minha cabeça, qualquer coisa – já que eu não tinha mais condições de dirigir. Eram quase onze da noite, mas a animação da pracinha me surpreendeu. E do outro lado enxerguei a placa milagrosa: “farmácia”. Era tudo o que eu precisava. Arrastei-me fora do calor do Escort para o frio da noite. Cara, faz é frio no inverno do sul de Minas! Meu casaco de carioca não dava conta do recado. Entrei na farmácia esperando encontrar um farmacêutico clássico do interior, aquele de jaleco e coisa e tal, mas atrás do balcão estava uma moça como tantas outras de rabo de cavalo e jeans. Encostei e gemi:- O que é que você tem pra gripe?Ela me olhou. Apesar de jovem era experiente, pois logo percebeu meu triste estado:- Nossa! você tá mal! Bota mal nisso, pensei. Mas tentei manter a imagem:- Nem tanto. Acho que uma aspirina resolve...- Que aspirina! deixa eu tirar sua temperatura.
A farmacêutica – que chamaremos aqui de Juliana - me levou até a cabina dos fundos . Fez-me deitar na maca e tocou os procedimentos, termômetro primeiro: - Você está com quarenta de febre!- Tudo bem. Só quero que você me arrume um jeito de seguir viagem. Qual remédio poderoso que você tem aí?Ela parecia penalizada com o meu estado. Torto de frio quando tinha entrado na farmácia, eu agora suava em bicas e encharcara as roupas em questão de segundos. As coisas começavam a ficar confusas. Uma irresistível vontade de dormir tomava conta do meu corpo. Depois de um vácuo de tempo, percebi que havia mais pessoas ladeando minha maca. Um casal olhava fixamente pra mim.- Ei! você não é o Sá e Guarabyra? – perguntava uma menina de olhos muito claros.- Só um deles... – consegui responder.Pedralva me pôs no colo. As meninas e mais um rapaz levaram-me a uma casa de fazenda, onde fui recebido pela mãe de uma delas. O rapaz trouxe meu carro e eu pude trocar minhas roupas molhadas por um pijama quentinho daqueles que a gente põe na mala quando vai pra São Paulo. Não me perguntem quanto tempo passei naquela casa de janelas coloniais e pé direito alto, prostrado na cama. Não sei se um dia ou dez. Só sei que uma bela manhã me levantei, novo em folha, despedi-me dos meus amigos e prossegui viagem. Da porta da fazenda, Juliana (não sei se era esse o nome dela), o casal de jovens e a mãe me acenavam. Me doía o coração de ir embora dali, de volta a uma vida atribulada e distante daquela amizade espontânea e reconfortante.Não acredito que isso tudo tenha acontecido por força de popularidade. Antes mesmo de qualquer reconhecimento eu já tinha sido acolhido e minha maior culpa é não lembrar o nome dos meus personagens. Só queria que eles lessem esta crônica e soubessem que seu carinho e solidariedade empurraram aquele viajante de uma noite de inverno pela vida afora.Porque são boas lembranças como essas que fazem com que sobrevivamos a qualquer selvageria.

Ao final, o Sá explicava sua inspiração e ainda apresentava uma letra que citava Pedralva:

PS: esta crônica me foi inspirada pelo Thiago, criador de uma das comunidades Sá, Rodrix & Guarabyra do Orkut, que mandou-me um e-mail perguntando sobre a verdade da história que ainda corre na cidade, dizendo que passei mal por ter tomado umas cervejas lá num bar...artista não tem jeito, tem fama. E má fama, eheheh! segue então uma letra que fiz com Rodrix e Guarabyra para as cidades-meninas de Minas, que têm maravilhosos nomes femininos...

PEDRALVA, BRANCA, BRANCA, BRANCA PEDRANATÉRCIA,
COM SEU NOME DE SENHORACRISTINA,
DENTES DE LEÃO NA PRAÇAMARIA DA FÉ,
FRIA,FRIA, FRIA AGORA...
PALMYRA, DAMA QUE PERDEU SEU NOMEMARIANA,
ONDE A REZA NÃO TEM HORAJANUÁRIA,
MORENINHA BARRANQUEIRAMARIA DA FÉ,
BRILHA,BRILHA,BRILHA, AGORA...
Retomando a narrativa do Giovany:

Assim que escreveu a crônica, Sá a enviou para o Thiago, que imediatamente a repassou para nós. Ficamos “loucos”, maravilhados com a importância que Sá dava ao acontecido. Como ele já havia falado a mim e ao João Paulo após o show, e voltava a reafirmar na crônica, ele lastimava muito não lembrar o nome das pessoas que o ajudaram.Pronto! Unimos o útil ao agradável: Pedralva inteira tinha que ler aquela crônica e, de quebra, descobriríamos quem eram as pessoas e elas ficariam sabendo da gratidão do Sá. Eu pedi permissão para que pudéssemos republicar o artigo no jornal de Pedralva. O Sá gostou da idéia e prontamente permitiu, desde que fosse citado que a crônica fora originalmente publicada na “Backstage”. Eu escrevi uma introdução explicando como aquela crônica havia chegado a nós e pedindo para que as personagens da história se identificassem.
Foi o que aconteceu.
Algumas edições depois publicamos um artigo, desta vez com a versão da Picida, da Rita e da Vanessa.
Mandei os dois jornais para o Sá, que agora sabia os nomes delas. E elas do reconhecimento dele. E vai até aí...
**************
Até abril desse ano, 2008, na Virada Cultural, quando Thiago, Matheus, Renata e outra amiga estiveram no Theatro Municipal assistindo à apresentação de Passado, Presente, Futuro. Na saída, apesar da febre que Renata apresentava, aguardaram juntamente conosco a saída do Trio, quando então surgiu o pedido dos Pedralvenses para que o Trio fosse ao PedRock ( há anos tentava-se essa participação que era o desejo de toda a cidade). A resposta de Zé Rodrix citando a música Cidade Menina e a disposição de comparecerem ao Festival animou ainda mais os organizadores que depois de algumas pequenas batalhas conseguiram sucesso ao levar a dupla ( o Zé Rodrix, infelizmente, teria outro compromisso na data), finalmente, à participar do PedRock!
Até Pedralva!!!

Créditos: fotos - Blog Pedralva, do Bustamante
Jornal O Centenário ( acervo pessoal da Rita Souza)


SERVIÇO: PedRock
Ingressos p/ o sábado ( 4 bandas e Sá & Guarabyra e banda)
R$40,00 ( meia entrada c/ carteirinha ou 1 kg de alimento p/ doação)





sábado, 5 de julho de 2008

SR&G em Uberlândia

Com 37 anos de carreira, o trio Sá Rodrix e Guarabira volta a Uberlândia, durante a edição do Arte na Praça, amanhã, a partir das 13h, na praça Sérgio Pacheco. “Tem uma amiga da minha mãe que é nascida aí, mas mora no Rio. Ela é como uma tia para mim e vive me perguntando quando vamos voltar a tocar em Uberlândia. Só estava esperando um convite”, disse Sá, que acredita que tenha feito duas ou três apresentações na cidade. O músico e seus dois companheiros serão antecedidos no palco pela banda uberlandense Porcas Borboletas, seguida dos gaúchos do Pata de Elefante. A entrada é gratuita.

Diferentemente de tudo que é feito pelos shows abertos Brasil afora, Sá Rodrix e Guarabira farão algo inusitado. Os uberlandenses terão a chance de assistir, em primeira mão, a um acústico, assim como é feito em casas fechadas, apenas com viola, teclado e voz. Na praça, eles farão um apanhado de todos seu grandes sucessos, como “Caçador de Mim”, “Sobradinho” e “Sete Marias” e outras não tão conhecidas, mas que são pedidas pelos fãs. Um estilo próprio que quem conhece, sabe, revolucionou a música brasileira nos anos 70.

Sá deu uma entrevista ao CORREIO de Uberlândia de dentro do estúdio em São Paulo, onde o trio grava o próximo trabalho que deverá ser lançado em meados de setembro ou outubro deste ano. Uma das inéditas será “O dia do rio”, de autoria dos três. De acordo com Sá, a canção será uma espécie de “Sobradinho nº 2”. Para quem não se lembra, “Sobradinho” é um hino de preservação do meio ambiente com a letra: “O sertão vai virar mar/dá no coração/o medo que algum dia o mar também vire sertão”. Outra canção nova será “Amanhece um outro dia”, tema de abertura da próxima novela do SBT, “Revelação”. O trio Sá Rodrix e Guarabira já fez diversos temas para novelas, como “Roque Santeiro”, com música de mesmo nome da novela estreada na Rede Globo em 1985 — que também contou com “Dona”, a canção da personagem da viúva Porcina, interpretada por Regina Duarte. Tem também “Espanhola”, de “Que Rei Sou Eu?”, de 1989, entre outras — todas serão tocadas na tarde de domingo.
por Núbia Mota/ Adreana Oliveira

sexta-feira, 30 de maio de 2008

É HOOOOOOOOJEEEEEEEEEEEEEE!!!

" A minha alegria atravessou o mar..." No caso o mar é Minas Gerais, e o meu ancoradouro, Belo Horizonte, onde em horas veremos o Encontro de Amigos: Sá, Rodrix & Guarabyra , Flávio Venturini e o 14 Bis completinho: Cláudio Venturini, Vermelho, Heli e por último, mas não menos querido ( agora!) Sergio Magrão!


Em clima de nostalgia


(Estado de Minas)


30/05/08


Zé Rodrix, Sá, Guarabyra, 14 Bis e Flávio Venturini: revival dos anos 1970

Ailton Magioli
EM Cultura



Luiz Carlos Sá, Zé Rodrix e Guarabyra se apresentam sexta em Belo Horizonte


“Se há de parte do público uma espécie de revival no ar, pode ser, talvez, pela necessidade de reencontrar algo que lhe preencha a alma já que, nos últimos 30 anos, a música está muito vazia, cada vez menos interessante e importante”. A opinião, de um expert no assunto, é de Zé Rodrix, que volta a se reunir aos amigos Sá & Guarabyra em show que conta, ainda, com a presença de Flávio Venturini e do 14 Bis. O encontro marcado, apresentado sexta (dia 30) à noite, no Chevrolet Hall, é cercado de expectativas, por reunir artistas em atividade desde a década de 1970. A iniciativa inédita também tem tudo para consolidar no Brasil tendência em evidência no showbusiness internacional, colaborando para que fãs – bichos-grilos, em maioria – reencontrem seus ídolos em uma única noite.


“Os anos 1970-80 foram realmente ricos para a música”, acredita Flávio Venturini, lembrando a mudança de relação das pessoas com a própria música, o que talvez tenha contribuído para gerar o atual clima de nostalgia. Parceiro de Luiz Carlos Sá em Criaturas da noite, na época de O Terço (que ele integrou) e de Guarabyra no sucesso Espanhola, Flávio recorda que a saída dele de Belo Horizonte para São Paulo, em plenos anos 1970, se deu em função de convite da dupla, que acabara de se juntar para gravar disco, após o fim do trio que formavam com Zé Rodrix. “Para mim tem sido tão prazeroso e divertido voltar a trabalhar com grupos que já integrei, como O Terço, que planejo fazer o mesmo com o 14 Bis”, diz o cantor-compositor, substituído no vocal principal do grupo pelo irmão Cláudio Venturini. De todas as atrações que vão participar de O encontro marcado, o único com o qual Flávio ainda não tocou é Zé Rodrix.



O 14 Bis também marcará presença no Chevrolet Hall

De volta a Belo Horizonte, há cerca de três anos, Flávio Venturini teve o privilégio de reencontrar na cidade Luiz Carlos Sá, com o qual retomou a parceria em Garapuá, do repertório do disco Porque não tínhamos bicicleta. “Sá é um grande compositor. Como letrista, é brilhante e inteligente. Além de ter excelente astral e ser bom companheiro”, elogia o amigo. “Já Guarabyra, que sempre teve carinho enorme comigo, é mais intuitivo”, acrescenta, admitindo que vocal do 14 Bis é herança do trio Sá, Rodrix & Guarabyra. “Aprendemos muito com eles”, conclui Flávio.

Depois de certo “ciúme” devido a sua saída do grupo, ele diz que o irmão Cláudio Venturini cresceu muito como artista, ao assumir a liderança do 14 Bis. Cláudio, por sua vez, diz admirar o lado compositor, inspirado e organizado,de Flávio, com o qual aprendeu a fazer da música um ofício. Convidado para ser o guitarrista de Sá, Rodrix & Guarabyra, por causa da idade (14 anos, na época) ele não pôde aceitar. Mas a admiração pelo trio persiste. Sexta (dia 30) à noite, essa turma vai se apresentar separadamente com seus grupos, além de se juntar para cantar sucessos. De Espanhola a Caçador de mim, esta da parceria de Magrão e Luiz Carlos Sá, passando por algumas surpresas.



O ENCONTRO MARCADO DE SÁ, RODRIX & GUARABYRA, FLÁVIO VENTURINI E 14 BIS - Sexta (dia 30), às 23h, no Chevrolet Hall, Av. Nossa Senhora do Carmo, 230, Savassi. Ingressos: arquibancada/1º lote: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia); 2º lote: R$ 60 (inteira) e R$ 30 (meia). Mesas/setor 1: R$ 350; setor 2: R$ 300. Informações: (31) 3209-8989.


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Sá, Rodrix e Guarabyra abrem o espetáculo e prometem inéditas também


Reunião de clássicos para todas as gerações No repertório estarão hits dos músicos, como "Caçador de Mim", "Espanhola" e "Dias Melhores Virão"


RENATA MEDEIROS

Jornal O TEMPO ( BH/MG)

30/05/08


Hoje, no Chevrolet Hall, depois de várias parcerias, Magrão, Vermelho, Hely e Cláudio Venturini (14 Bis); Sá, rodrix e Guarabyra; e Flávio Venturini (ex-vocalista do 14 Bis) se apresentam juntos pela primeira vez. A capital mineira será palco desse espetáculo também a ser apresentado em várias partes do país. "Espanhola", de Flávio e Guarabyra, "Caçador de Mim", de Magrão e Sá, e "Dias Melhores Virão", de Sá e Cláudio Venturini, são somente alguns dos grandes sucessos dos músicos que, desde a década de 70, encantam gerações. "Em um espetáculo que reúne esses oito amigos com tanta história para contar, as clássicas não poderiam ficar de fora. Esse show representa uma época juntos", diz Flávio Venturini.





Ao receber o convite para participar do projeto, Sá logo aceitou e aprovou a idéia. "Temos vários trabalhos juntos e confesso que fiquei surpreso com o convite. O fantástico não é esse show acontecer, mas, sim, ninguém ter tido essa idéia antes", brinca. O cantor afirma ainda que tem ótimas expectativas para essa primeira apresentação. O Show. A abertura do espetáculo fica por conta de Sá, Rodrix e Guarabira. Depois é a vez de Flávio Venturini relembrar alguns de seus sucessos. O 14 Bis é a última banda a se apresentar, antes da união de todos os artistas no palco.


Sá, Rodrix e Guarabyra lançam disco novo em setembro, e já prometem músicas inéditas para o show, assim como o 14 Bis. Os artistas afirmam que, para o espetáculo, o público pode esperar uma série de novidades. "Serão oito vozes juntas e acho que dá para fazer algo muito bacana. Esse é também um momento que nos possibilita mostrar aquilo de novo que fazemos", comenta Cláudio Venturini. Ele completa dizendo que para vários fãs esse será um momento inesquecível, uma vez que Flávio toca novamente com o 14 Bis. Além daqueles que acompanharam a carreira dos artistas desde o início, os músicos também esperam que o público jovem compareça e prestigie o espetáculo. "Nossa geração vem para relembrar e esperamos que a nova geração venha em busca de boa música. Nosso objetivo é atingir todos os públicos", comenta Vermelho. Início. Colocar Magrão, Vermelho, Hely, Cláudio Venturini, Sá, Rodrix e Guarabyra e Flávio Venturini em um mesmo palco foi uma iniciativa dos produtores artísticos Carlos Alberto Xaulim, da Cadoro Eventos, e Gegê Lara, da GL Produções. "A idéia é ao mesmo tempo de produtor e de fã. Vamos colocar juntos os sucessos e fazer um show bem diferente que fascine a quem assite. O que queremos é oferecer música de boa qualidade", afirma Gegê. Os artistas, satisfeitos por abrirem a série de shows aqui em Belo Horizonte, elogiam a capital mineira como extremamente musical, mas criticam dizendo as rádios e TVs do Estado deveriam não só apoiar, mas também dar mais espaço à nossa própria música. Em coletiva em março, os amigos falaram com entusiasmo sobre as expectativas para o show e, de acordo com Gegê, "a vontade de estarem juntos vem crescendo a cada instante". Todo esse entusiasmo faz com que os planos para o projeto se desenvolvam cada vez mais, e quem ganha com isso é o público. "Todos estamos bastante estimulados em dar continuidade a esse grande espetáculo que reúne importantes nomes da nossa música brasileira. O que almejamos é continuar com esse projeto até 2009".


sábado, 12 de abril de 2008

Luiz Carlos Sá e o Diamante Cor de Rosa

Se há alguém que sempre me surpreende é o Luiz Carlos Sá! Acho que por não conhecer muito sua carreira solo antes do trio, e/ou talvez por ele ser tão “mineiramente” discreto.
Hoje descubro que é dele a autoria das canções incidentais do filme Roberto Carlos e o Diamante Cor de Rosa ( aposto que você também não sabia!)! São somente 4 mas têm um peso danado no filme: O Gênio, Karatê, Ilha Rasa e Enganando Pierre.
Trilhas incidentais são de importância fundamental pois criam a ambientação para o desenvolvimento do filme, Wagner Tiso e Henry Mancini que o digam!
Reveja o filme para descobrir, você também, no último slide do letreiro, o nome de Luiz Carlos Sá.
Para saber mais sobre a trilha sonora do filme:

http://www.jovemguarda.com.br/artigos-diamante.php
E se algum colecionador tiver essas preciosidades em mp3, por favor, nos envie: ao Blog e ao Sá!
Seremos eternamente agradecidos!

quarta-feira, 19 de março de 2008

Luiz Carlos Sá X O Terço/ 14 Bis / Venturini ( composições)

Ainda no clima do encontro (ansiosamente aguardado pelos fãs) aí vai um levantamento das composições de Luiz Carlos Sá em parceria diversas, que foram gravadas pelo TERÇO, 14 BIS ou Venturini.




O Terço
Criaturas da Noite
Luiz Carlos Sá - Venturini
LP/CD Criaturas da Noite
1975

O Terço
Casa Encantada
Luiz Carlos Sá - Venturini
LP/CD Casa Encantada
1976

O Terço
Vôo da Fenix
Luiz Carlos Sá - Venturini
LP/CD Casa Encantada
1976

O Terço
Pássaro
Luiz Carlos Sá - Guarabyra
LP/CD Casa Encantada
1976

14 Bis
Meio-dia
Luiz Carlos Sá e Vermelho
LP/CD 14 Bis
1979

14 Bis
Caçador de mim
Luiz Carlos Sá-Sergio Magrão
LP/CD 14 Bis II
1980

14 Bis
Doce loucura
Sergio Magrão - Vermelho - Luiz Carlos Sá
LP/CD Espelho das Aguas
1981

14 Bis
Pele de verão
Luiz Carlos Sá - Venturini
LP/CD Além Paraíso
1982

14 Bis
Sem final feliz
Luiz Carlos Sá - Cláudio Venturini
CD Quatro por Quatro
1992

F. Venturini
Figura rara
Luiz Carlos Sá - Venturini
CD Flávio Venturini ao Vivo
1992

14 Bis
Máscara convencional
Luiz Carlos Sá - Sergio Magrão
CD Quatro por Quatro
1992

14 Bis
Tudo Céu
Luiz Carlos Sá - Vermelho
CD 14 Bis acústico
1998

14 Bis
Dias Melhores Virão
Cláudio Venturini/Luiz Carlos Sá
CD Outros Planos
2004

14 Bis
Quando é Fácil se Dizer...
Hely Rodrigues/Luiz Carlos Sá
CD Outros Planos
2004

O Terço
Prazer e Fé
Luiz Carlos Sá - Ivaldo Moreira
CD Compositores
2004

quinta-feira, 6 de março de 2008

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Novidades frescas da gravação do DVD do Zé Rodrix e show em Minas

A novidade nem é tão boa, mas o Alan Romero informa que o Lourenço Baeta sofreu um pequeno acidente e a participação do Boca Livre está cancelada. O que me deixou dúvidas foi...será que mesmo assim teremos Maurício Maestro e David Tygel?????


O Festival de Verão de Pedro Leopoldo / MG trará ótimos shows ( gratuitos, a maioria) para a população da cidade e arredores. A cidade está localizada a poucos quilômetros de Belo Horizonte e bem perto do Aeroporto Internacional de Confins, caso alguém se anime a ir! Dia 10 de março teremos o animadérrimo show do Tavito e Zé Rodrix, o mesmo que eles vêm apresentando em São Paulo. E o melhor, grátis!!

TAVITO & ZÉ RODRIX

Dia 10 de Março, segunda feira, às 20 hrs - na Igreja de São Sebastião - no Distrito de Vera Cruz de Minas



A guarânia "EMBORA", filmada pela Marlene no show de aniversário!

domingo, 17 de fevereiro de 2008

Há 34 anos atrás



& Guarabyra e Rodrix sozinho


O encontro do compositor cantor Guttemberg Guarabyra, revelação do FIC 67 (com colcha de retalhos "Margarida"0, com o jornalista compositor Luis Carlos Sá e com o músico compositor Zé Rodrix, resultou num dos mais importantes grupos vocais instrumentais entre o final de 1972 até há [poucos] meses o Sá-Rodrix-Guarabyra. Com 2 importantes LPs na Odeon, divulgando um estilo chamado de rock-rural - advinda principalmente do belíssimo "Casa de Campo", que foi sucesso na voz de Elis Regina, o trio alcançou uma popularidade junto a uma faixa jovem urbana quase tão grande quanto à obtida pelos Secos & Molhados. Mas como aconteceu com o grupo paulista, dissenções internas levaram a extinção do conjunto com Sá & Guarabyra formando uma dupla e Zé Rodrix tentando uma carreira de solista, como possivelmente acontecerá agora com os Secos & Molhados. Uma mostra dos novos caminhos dos rapazes surgiu já há alguns meses, com os LPs "Nunca" (Odeon, SMOFB 31331, maio de 74) com Sá & Guarabyra e "I Acto" ( Odeon, SMOFB 3815, abril 74) com Zé Rodrix. Dedicado à Edir de Castro e Maria Bravo Rodrix, "I Acto" - título do espetáculo que Zé Rodrix apresentou na Guanabara ao lado de números de mágica, procurando sugerir um clima magico de envolvimento dos espectadores, é uma prova de seu bom humor e vigor criativo - do qual a notável trilha sonora que compôs para "Como Era Gostoso Meu Francês" (Brasil, 71, de Nelson Ferreira dos Santos) já havia demonstração. Aqui temos 10 novas músicas, numa das quais ("Receita de Bolo", em parceria com Tavito) desenvolve exclusivamente instrumentos. Um pôster acompanha o disco, traz além de todas as letras, uma detalhada ficha técnica - que deveria servir de exemplo a todos os que se dedicam a produção fonográfica no Brasil. A ficha chega a marcar inclusive as datas e horários de gravação das musicas (entre 24 de setembro a 12 de outubro de 1973, portanto anterior ao desmembramento do grupo). São as seguintes as faixas do LP. "Casca de Caracol", "Eu Não Quero", "Cardilac'52", "Eu Preciso de Você Pra Me Ligar", "Xamego da Nega", "Quando Você Ficar Velho", exclusivamente de Rodrix. Em parceria com Tavito, além do já citado tema instrumental "Receita de Bolo", apareceu "Coisas Pequenas", "Essas Coisas Acontecem Sempre" e "IIo Acto"."Não há estradas/ Que eu não possa perceber/ Nem Madrugadas/ Que eu não possa atravessar". Com estes versos de extremo otimismo termina "Apreciando a Cidade", uma das melhores faixas do LP de Sá & Guarabyra. Como lembrou o crítico Luiz Carlos Azevedo (UH,24/6/74). "Nunca" faz a gente lembrar "Terra", o LP que no início do ano passado foi o último trabalho do trio. "Apreciando a Cidade" traz os arranjos de Rogerio Duprat - cuja contribuição a renovação da MPB após o Tropicalismo não é preciso ser lembrada. Basta ter ouvidos. Como em seus trabalhos anteriores. Guarabyra & Sá buscam os temas campestres, de uma idílica visão pastoral - que embora possa ser falsa em termos de consumo urbano, obtém alguns resultados interessantes - ao menos para conscientizar o (alienado) público jovem para as coisas do Brasil. Tanto o LP de Rodrix como o de Sá & Guarabyra representam trabalhos de transição. Mas que nos fazem aguardar com um crédito de confiança.



Texto de Aramis Millarch, publicado originalmente em:
Veículo: Estado do Paraná
Caderno ou Suplemento: Nenhum
Coluna ou Seção: Jornal do Espetáculo
Página: 17
Data: 03/09/1974

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

Sob o ponto de vista do Sá



Luiz Carlos Pereira de Sá é carioca. Bem poderia ser mineiro. Afinal, já residiu em Belo Horizonte e para lá está voltando. Seus parceiros incluem o mineiro Flávio Venturini em sucessos como “Caçador de Mim” e “Criaturas da Noite”. E, sem alarde nem estrelismos, trabalha em silêncio: discretamente, está completando 40 anos de carreira, desde suas primeiras músicas gravadas nos idos de 1965-66 como “Baleiro”, “Inaiá” – lançada por ele mesmo –, “Capoeira de Oxalá” (no primeiro LP de uma jovem chamada Rosa Maria) e “Giramundo” – seu primeiro sucesso, na voz de Pery Ribeiro. Aos poucos foi ganhando nome como cantor e compositor – vale a pena procurar seu nome nas letras miúdas da autoria de sucessos ou raridades como “Homem De Neanderthal” com os Lobos (mais tarde revivida por Ney Matogrosso) e “O Burro Cor-De-Rosa” com Serguei.
Em 1967 Sá cantou na inauguração do Teatro Casa Grande ao lado de outro jovem de futuro, o baiano Gutemberg Guarabyra, com quem, ao lado do maestro e compositor Zé Rodrix, acabou formando o trio Sá, Rodrix & Guarabyra em 1971. Definindo seu estilo com o “rock rural” – equivalente brasileiro do caipirismo sofisticado de Crosby, Stills, Nash & Young –, o trio emplacou sucessos como “Mestre Jonas”, “Me Faça Um Favor”, “Primeira Canção da Estrada” e “Vamos Por Aí”. Com a saída de Zé em 1973, Sá e Guarabyra firmaram-se como dupla de cantores e compositores das mais bem-sucedidas, não só nas paradas de sucesso (“Dona”, “Roque Santeiro”, “Espanhola”, “Sobradinho”, “Cheiro Mineiro de Flor” e, claro, “Segunda Canção da Estrada”), mas também como autores de jingles para a Pepsi-Cola (“Só Tem Amor Quem Tem Amor Pra Dar”), a Nossa Caixa (“vem pra Caixa você também”) e o guaraná Taí (“chegou pra ficar na nossa”). Após Zé Rodrix participar de algumas gravações da dupla como convidado nos anos 1990, o trio se re-efetivou como tal em 2000 e vai indo muito bem, com shows por todo o Brasil.
Além de quatro décadas de carreira, Luiz Carlos Sá completou não aparentes seis décadas de vida neste dia 15 de outubro, conservando bom humor e disposição para ainda muitas canções de estrada...

20/20 – Você, pelo menos desde o início dos anos 1970, sempre incorporou óculos à sua imagem pública, inclusive óculos escuros. Você tem ou teve algum problema de visão?

Sá – Miopia, astigmatismo e, atualmente, presbiopia.

20/20 – Zé Rodrix diz que óculos são parte integrante da personalidade dele, por isso nunca se interessou em cirurgia para remover a miopia. Você é da mesma opinião?

Sá – Sou. Óculos nunca me atrapalharam. Jogo pelada de óculos... (risos)

20/20 – Desde quando você usa óculos? Foi algo natural ou traumático, do tipo “virei o quatro-olhos da classe”?

Sá – Eu sempre quis usá-los. Uso desde os oito anos de idade.

20/20 – A maioria de seus óculos é solar ou oftálmica? Gosta de usar óculos escuros?

Sá – Gosto muito de óculos escuros, mas uso racionalmente.

20/20 – Você aderiu aos modelos “na pontinha do nariz” ou continua adepto das grandes armações?

Sá – Sou adepto dos multifocais. Com as lentes modernas, posso usar armações pequenas.

20/20 – Tem uma marca preferida de armação? E que tipo de lentes prefere?

Sá – Armani, da Sáfilo. Lentes, Varilux Multifocais Style.

20/20 – Quantos pares de óculos você tem?

Sá – Cinco. Dois claros, dois escuros e um reserva para presbiopia.

20/20 – Qual seu par de óculos preferido? Por quê?

Sá – Meu Armani novo. Porque é novo, ora...

20/20 – Alguma história engraçada ou trágica envolvendo óculos?

Sá – Uma vez, numa pelada, um dos jogadores adversários recusou-se a jogar porque o goleiro – eu – usava óculos. Na verdade eu tinha uma armação inquebrável com lentes especiais de resina que, em caso de bolada na cara, soltavam-se sem me ferir. Mas nem assim o cara jogou!

20/20 – Qual o primeiro artista que lhe vem à mente quando se fala de óculos?

Sá – Woody Allen.

20/20 – Como vai o trio Sá, Rodrix & Guarabyra? Planos para disco de músicas inéditas?

Sá – Estamos loucos pra isso. Mas é difícil convencer as gravadoras de que estamos cansados de regravar as “Espanholas” e “Sobradinhos” da vida...

20/20 – Você tem uma carreira-solo, embora bissexta. Algum plano para show e/ou disco solo? E como vão as atividades publicitárias?

Sá – Estou armando um show solo. Ainda faço alguns projetos especiais para propaganda na produtora Nova Onda, do Rio de Janeiro.

20/20 – E a dupla Sá & Guarabyra?

Sá – Por enquanto ainda está embutida no trio (ri)...
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entrevista dada ao Ayrton Mugnaini , publicada na Revista 20/20 em 2005.
http://www.2020brasil.com.br/

sábado, 26 de janeiro de 2008

Sá, Rodrix & Guarabyra


SR&G em momento "vocalize", foto resgatada pelo Sérgio de Carvalho, nas suas pesquisas sobre o Rock e a Mídia undergound nos anos 70.